25 de setembro de 2020
Olhar Brasilia
Vitrine Cultural

O grito da cultura

Por Marcia Zarur

Todo mundo sabe o quanto é difícil viver de cultura no Brasil. Aqui no DF, o que dá algum fôlego aos artistas é o Fundo de Apoio à Cultura. Uma lei que há mais de 15 anos destina 0,3% da receita corrente líquida do DF para atividades culturais. É o que a gente chama de “dinheiro carimbado”, e, no caso de Brasília, é o que faz essa engrenagem continuar girando.

Pra conseguir recursos do FAC, o candidato passa por uma profunda análise de documentos e de mérito cultural. Muitos artistas até se queixam do excesso de burocracia, mas até então tem sido a forma encontrada para garantir a relevância das propostas e a distribuição do dinheiro de forma democrática.

Mas, desde que foi criado, sucessivos governos do Distrito Federal cobiçam esse dinheiro do fundo para investir em outras áreas. Há dois anos, uma lei complementar passou a gestão desses recursos da Secretaria de Cultura para a de Fazenda e abriu brechas para o remanejamento dessa verba para outras áreas – o que na prática significa a morte lenta do FAC.

O governador Rodrigo Rollemberg gravou um vídeo afirmando que o FAC não corre perigo, que o fundo será preservado como política de Estado e maior instrumento da política cultural brasiliense. Mas não acenou à classe artística com mudanças no atual modelo, pelo menos até o fim do mandato dele.

É uma eterna dificuldade enxergar que cultura é educação. Não é supérfluo, é uma área transformadora e necessária para o desenvolvimento de uma sociedade. O que seria de nós sem música, dança, pintura, teatro, literatura e todas as artes em geral?

Vamos continuar de olho. Hoje, teve reunião do governador com integrantes do Fórum de Cultura do DF, na qual ele propôs manter os recursos do FAC no Tesouro até o fim do mandato. Amanhã, tem reunião do Fórum para avaliar a proposta.

Você também pode gostar

Nenhum comentário

Deixe uma resposta