2 de dezembro de 2021
Olhar Brasilia
Marcia Zarur

A impermanência das coisas

Hoje me despeço da minha coluna na CBN, depois de quatro anos entrando na vida das pessoas pelas ondas do rádio.

O ano era 2013 – parece que foi ontem – o país fervia em manifestações difusas. Não era só pelos 20 centavos, mas alguém sabia exato por quê? E tanta coisa viria depois…

Eu, que já estava novamente namorando o jornalismo depois de um período afastada, procurei o Estevão Damazio e disse que queria voltar de vez. Não para o dia a dia, mas para um desafio diferente que me faria quebrar a tradição de nunca usar a primeira pessoa.

Estevão, profissional de primeira grandeza e colega de rua em muitas coberturas, foi acolhedor e de cara me ofereceu: ‘Você é a pessoa perfeita pra comandar o Mais Brasília!’ Mergulhei de cabeça na nova empreitada, com frio na barriga de ser colunista pela primeira vez, mas como um brilho nos olhos que só um projeto novo nos traz. 

O caminho foi de descobertas, conquistas e muito aprendizado. Experimentei novamente a magia do rádio, com seu imediatismo e sua interatividade. O que você fala em um segundo já está reverberando, recebendo apoio ou críticas. É tempo real, é dinâmico, é provocante – é rádio!

A coluna Mais Brasília me deu a chance de começar a construir um novo caminho dentro do jornalismo, voltado à Brasília real, à cidade que existe independentemente da política e do poder. Foi ali no estúdio da rádio que comecei a enxergar claramente que existia essa lacuna e que eu queria muito ajudar a preenchê-la.

Tempos depois, numa conversa com o meu amigo Joelson Maia, surgia a ideia do Distrito Cultural, e mais pra frente, numa outra conversa, com Samanta Sallum, decidimos dar vida ao site Olhar Brasília. Tudo convergiu para esse norte na minha bússola profissional. Minhas raízes brasilienses me puxavam pra essa estrada.

Hoje é a minha última coluna Mais Brasília. Por quê? Porque os ciclos se fecham e outras portas se abrem. Porque a vida é movimento. Porque há um conceito no budismo que diz: nada é permanente, a não ser a própria impermanência das coisas.

Mas a minha despedida da CBN não tem o gosto salgado das lágrimas, e sim um imenso sentimento de gratidão. É só dar uma olhada nas fotos que registraram essa jornada pra entender o quanto tenho a agradecer!

Confira minha retrospectiva Mais Brasília! 

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3 Comentários

  • Reply
    Sandra Beatriz
    2017-06-28 at 16:08

    Vou sentir muita falta!

  • Reply
    Eugênio Giovenardi
    2017-07-03 at 16:13

    Longa e profícua participação cultural.
    Vamos Olhar Brasília. Ela merece nossa permanência sabendo da impermanência das coisas. Somos todos impermanentes.

    • Reply
      Marcia Zarur
      2017-07-23 at 20:23

      E já que somos todos impermanentes, que a luta pela preservação de Brasília fique como legado para as próximas gerações. Muito obrigada pelo comentário!

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