13 de julho de 2017
Olhar Brasilia

Marcos Pinheiro

Espaço convidado

Brasília celebra o rock

Convidado: Marcos Pinheiro é um carioca-brasiliense que celebra o rock em todos os dias do ano!

13 de julho, Dia Mundial do Rock. A data é comemorada há 32 anos em vários países. Mas é no Brasil que os fãs parecem levar mais a sério a “efeméride”. No Distrito Federal, estão programados vários eventos do gênero para esta quinta-feira – leia mais no quadro “Onde comemorar o 13 de julho”.

Mas antes é bom explicar o motivo: foi em 13 de julho, em 1985, que ocorreu o festival beneficente Live Aid, idealizado pelo músico irlandês Bob Geldof, com o objetivo de arrecadar fundos para o combate da fome na Etiópia – país populoso e de vasto território, situado no nordeste da África, e que até hoje vive na pobreza. O evento reuniu mais de 100 artistas em dois megasshows, realizados simultaneamente nos estádios de Wembley (Londres) e JFK (Filadélfia), com público presente de mais de 170 mil pessoas – e transmitido pela TV, em tempos pré-internet e redes sociais, para cerca de 150 países, com audiência estimada em 2 bilhões.

Foram quase 16 horas de festival, que arrecadou 150 milhões de libras, o equivalente a US$ 284 milhões. Paralelamente, outros concertos menores foram realizados no Japão, na Áustria, Austrália, Alemanha e na antiga União Soviética. Uma mobilização mundial de magnitude, que naturalmente entrou para a história ao reunir astros como Queen, David Bowie, Elton John, Paul McCartney, Mick Jagger & Keith Richards, Eric Clapton, Bob Dylan, Phil Collins, Black Sabbath, Led Zeppelin, The Who, U2, Dire Straits e Sting, entre outros nomes do rock e pop. Foi por sugestão de Phil Collins, líder da banda Genesis, que 13 de julho passou a ser considerado o Dia Mundial do Rock.

Brasília, capital do rock

E foi justamente em meados dos anos 1980 que Brasília se inseriu nacionalmente nesse universo. Em meio ao surgimento de novas bandas que estouravam no mercado fonográfico brasileiro pós-Rock in Rio (cuja primeira edição ocorreu em janeiro de 1985), a turma candanga se destacava: Legião Urbana, Plebe Rude, Capital Inicial, Finis Africae, Mel da Terra, Detrito Federal, Escola de Escândalo, Elite Sofisticada, Arte no Escuro, 5 Generais, Volkana… Em maior ou menor escala, todas ganharam projeção e deram à cidade a alcunha de “capital do rock”.

Uma cena local que, é bom ressaltar, teve início já na virada dos anos 1960 para os 1970 com Os Primitivos, Matuskela e Tellah – e ainda contou com a seminal Aborto Elétrico, banda de “um tal” Renato Russo e dos irmãos Flávio e Fê Lemos, futuros integrantes do Capital Inicial. E que se multiplicou nas décadas seguintes: Raimundos, Maskavo Roots, Little Quail and the Mad Birds, Câmbio Negro, Rumbora, DFC, Os Cabeloduro, Dungeon, P.U.S., ARD, Pravda, Dark Avenger, Low Dream, Oz, Bois de Gerião, Móveis Coloniais de Acaju, Galinha Preta, Terror Revolucionário, Macakongs 2099, Trampa, Etno, Dillo, Lucy and the Popsonics, Scalene e outros tantos nomes – cada um em seu “nicho” dentro do grande espectro de estilos que envolve a história do rock.

Uma amostra disso já foi registrada no cinema, em documentários independentes como Rock Brasília – Era de Ouro, do diretor Vladimir Carvalho; Geração Baré-Cola – Usuários de Rock, de Patrick Grosner; e Sem Dentes: Banguela Records e a Turma de 94, do paulista Ricardo Alexandre. E nos filmes Faroeste Caboclo, de Renê Sampaio, e Somos Tão Jovens, de Antônio Carlos da Fontoura – ambos ligados ao universo específico de Renato Russo. Ou ainda nos livros O Diário da Turma 1979-1986: A História do Rock de Brasília, de Paulo Marchetti; Renato Russo – O Filho da Revolução, de Carlos Marcelo; e Esfolando Ouvidos, de Evandro Vieira, entre outras publicações. Vale pesquisar no YouTube, livrarias ou sebos…

Nova cena

Mas se engana quem pensa que essa efervescência morreu. Brasília ainda respira (e muito) o rock! É verdade que as bandas autorais perderam muito espaço para “covers” e tributos nas programações de pubs e bares – uma opção comercial até compreensível, mas que prejudicou bastante a formação de novos públicos. Mas elas continuam surgindo, produzindo, lançando discos, se reunindo e tocando por vários cantos da capital, seguindo o lema punk do “faça você mesmo”.

A Scalene destaca-se como protagonista dessa nova cena. Após se tornar vice-campeã do reality show musical Superstar (TV Globo) e marcar presença em vários eventos de porte, tem escalação anunciada para o palco principal do maior festival brasileiro, o Rock in Rio, e dividirá a noite de 21 de setembro próximo com os veteranos “gringos” Aerosmith e Def Leppard. A Alarmes vem na “cola” e apareceu há poucos meses tocando em novela global. E a Dona Cislene já é fortíssima candidata a conquistar destaque nacional em muito breve. Isso só pra citar alguns dos principais nomes dessa “geração 2010”.

Prova de que o “rolé está forte” é o documentário que está sendo produzido pelos estudantes de cinema Gabriela Cardoso, Jéssica Cardoso, Daniel Noronha e Gabriel Menezes, chamado justamente A Nova Cena – ainda sem previsão de lançamento. O trailer já atingiu mais de 25 mil visualizações nas redes sociais.

Festivais

Pequenos shows movimentam a cena no dia a dia. Mas são os festivais independentes e/ou projetos permanentes que se tornaram a principal vitrine para que bandas e artistas sejam descobertos por um público maior – inclusive pela mídia. E Brasília está repleta de eventos desse tipo.

O Porão do Rock é o exemplo mais duradouro e grandioso. Já foram 19 edições anuais desde 1998, que reuniram quase 1,2 milhão de público e 443 atrações diferentes – 229 somente do Distrito Federal e Entorno. A edição 2017 ainda não foi anunciada oficialmente, mas deve ocorrer em outubro.

O Moto Capital, realizado desde 2004, cresceu demais em estrutura: ampliou o público e a duração – agora são 10 dias –, ganhou um novo nome (Brasília Capital Moto Week) e passou a investir muito mais em bandas autorais. Este ano, a grande reunião brasiliense de motoclubes do país rolará de 21 a 30 de julho, mais uma vez na Granja do Torto, com destaques para as presenças de Paralamas do Sucesso, Blitz, Camisa de Vênus e Jota Quest, além das brasilienses Scalene e Detrito Federal, entre outras.

Mas não é só: tem os também veteranos Headbanger’s Attack, voltados ao rock pesado (que já somam 15 edições anuais), e o Sarau Psicodélico, realizado periodicamente desde 2004. E ainda PicniK, Satélite 061, Rock na Ciclovia, Poerão do Rock (alusão bem-humorada ao Porão), Caga-Sangue Thrash, Carnarock e os novatos Tenho Mais Discos Que Amigos – estreou este ano – e o CoMa (Convenção de Música e Arte), cuja primeira versão será de 4 a 6 de agosto. Isso sem contar nos já extintos (ou inativos) Marreco’s Fest, Rolla Pedra, Móveis Convida, Brasília Music Festival e Brasília Fest Rock…

Nas ondas do rádio

O rock perdeu voz, mas ainda frequenta bem o dial brasiliense. Vários programas são dedicados ao gênero, em emissoras convencionais ou webrádios, resgatando a história, tocando novidades ou abrindo espaço às bandas independentes – veja mais no quadro “Onde ouvir rock”.

Em se tratando de som local, os principais veículos são os programas Cult 22 (Cultura FM) – no ar há quase 26 anos –, Na Rota do Rock (Rádio Federal), Mr. Lews on the Zone (Web Zone Rádio), BRockado (Esplanada FM) e Zine-se (Rádio 4 Tempos), além do podcast Foguete.

Muito a comemorar

Diante de tudo isso, o Dia Mundial do Rock será comemorado no Distrito Federal com vários eventos específicos nesta quinta-feira, 13 de julho. Tem shows de graça no Museu da República, no Setor Comercial Sul e na loja da Fnac. E outros, com ingresso pago, no Espaço Cultural Canteiro Central, Velvet Pub, O’Rilley, Toinha Rock Pub e Tapera Pub.

E, ao longo do fim de semana, outros eventos também agitarão a capital do país – e vale ficar sempre atento à agenda do blog Cult 22: http://www.cult22.com/blog/agenda. Escolha seu programa e se divirta bastante ao som do velho (e bom) trio guitarra, baixo e bateria!

ONDE COMEMORAR O 13 DE JULHO:

MUSEU NACIONAL DA REPÚBLICA
A partir das 17h, no Eixo Monumental
Shows com Idade Média, Mariana Camelo, Saurios, Napoleonic (Austrália), Vontana e Brown-Há + DJ Marlus Alvarenga + festival de cervejas artesanais Entrada: franca
Mais informações: facebook.com/events/150284042174087

SETOR COMERCIAL SUL
Q Cultural, a partir das 17h30, no estacionamento da Quadra 6 Shows com Passo Largo e Lista de Lily + DJs Nagô e Weird Rockers Entrada: franca
Mais informações: facebook.com/events/225656937956229

Na Rota do Dia do Rock, a partir das 19h, no Espaço Cultural Canteiro Central (Quadra 3 – Edifício Paranoá)
Shows com Duex, John No Arms, Motörband e Classic Rock
Entrada: franca (até as 21h), R$ 10 (das 21h às 22h) e R$ 15 (após)
Mais informações: facebook.com/events/316265705498109

PARKSHOPPING
A partir das 20h, na loja da Fnac
Pocket-show com MDNGHT MDNGHT
Entrada: franca
Mais informações: facebook.com/events/1930541267162362

CEILÂNDIA
A partir das 21h, no Tapera Pub (EQNM 1/3, Bloco A, Via Leste – Ceilândia Sul) Show com Os Merah
Entrada: R$ 8
Mais informações: facebook.com/Tapera-Pop-Rock-1679793585583285

SAMAMBAIA
A partir das 22h, no Toinha Rock Pub (QN 208, Samambaia Norte) Show com PsicOzzy (tributo a Ozzy Osbourne)
Entrada: R$ 10 (até as 22h) e R$ 15 (após)
Mais informações: bardatoinha.com.br

ASA NORTE
A partir das 22h, no Velvet Pub (102 Norte) Show com Dr. Rock
Entrada: R$ 10 (até as 23h) e R$ 20 (após)
Mais informações: velvetpub.com.br

ASA SUL
A partir das 22h, no O’Rilley Irish Pub (409 Sul)
Shows com Adriano Faquini & Kiko Peres (tributo a Led Zeppelin) e AB/CD (tributo a AC/DC) + DJ Marcinho Grande Brother
Entrada: R$ 20 (até as 22h30) e R$ 30 (após)
Mais informações: orilley.com.br

ONDE OUVIR ROCK:

FORÇA AÉREA FM (91,1MHz)
Programa Senta a Pua
Segunda a sexta-feira, das 20h às 22h
Mais informações: fab.mil.br/radio

NACIONAL FM (96,1MHz)
Programa Templo do Rock
Sábado, das 17h às 18h
Reprise na segunda-feira, às 22h
Mais informações: facebook.com/templodorockebc

CÂMARA FM (96,9Mhz)
Programa Memória do Rock Sábados, das 18h às 19h
Reprise na quinta-feira, à 0h
Mais informações: radio.camara.leg.br

ESPLANADA FM (98,1MHz) – no dial somente para Asa Sul
Programa BRockado
Quinta-feira, das 20h às 22h
Mais informações: radioesplanadafm.org

TRANSAMÉRICA FM (100,1MHz)
Programa Tomarock
Segunda a sexta-feira, das 11h às 12h
Segunda, quarta e sexta-feira, das 16h às 17h
Mais informações: radiotransamerica.com.br/pop/brasilia

CULTURA FM (100,9Mhz)
Programa Cult 22
Sexta-feira, das 21h às 23h
Mais informações: cult22.com

Programa Mundo Rock
Sexta-feira, das 23h à 0h
Mais informações: facebook.com/culturafmbrasilia

EXECUTIVA FM (101,7Mhz)
Programa Classic Rock
Quinta-feira, das 21h às 22h
Mais informações: radioexecutiva.com.br

WEBRÁDIO FEDERAL
Programa Na Rota do Rock
Segunda-feira, das 20h às 22h
Mais informações: radiofederal.com.br

WEBZONE RÁDIO
Programa Rock Master
Terça e quinta-feira, das 19h às 20h
Mais informações: webzoneradio.com.br

Programa Mr. Lews on the Zone
Quarta-feira, das 20h às 22h

Programa Sinal Convida ou Domingo no Parque
Domingo, das 20h às 22h

WEBRÁDIO 4 TEMPOS
Programa Zine-se
Sábado, das 18h às 20h
Reprise na quarta-feira, das 22h à 0h
Mais informações: radio4tempos.com.br

FOGUETE
Podcast
Mais informações: foguetepodcast.blogspot.com.br

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