19 de outubro de 2019
Olhar Brasilia
Samanta Sallum

Mais Beirute, Menos Cão Véio (Parte 2) – Quando o acaso acontece

TEMPO DE LEITURA: 4M

E a cidade me convocou a reforçar o convite: brasilienses, um pouco mais de “let it go”. Vamos conhecer as nossas esquinas. Sim, nós as temos. Vamos nos abrir aos segredinhos que elas têm para nos contar. Temos uma Brasília “fora da caixinha” muito interessante, charmosa e divertida. Eu pensei em deixar o assunto um pouco de lado, depois da grande polêmica com o meu último texto. Foi uma surpresa positiva a ressonância que teve o post. Mas não gosto de ser monotemática, e eu tentei me distanciar do assunto, mas ele grudou em mim. E, como coincidências não existem, não vou resistir a ele.

Neste blog, escrevo minhas linhas de forma espontânea e baseada em experiências pessoais, bem reais e que geralmente foram acompanhadas por outras pessoas. Aqui, posso viajar muito em meus pensamentos, mas não há invenção alguma. No caso da minha opinião sobre restaurantes, cafés e lanchonetes, não tiro conclusões em menos de três tentativas. Todo lugar tem o seu dia ruim. E não seria tão justo criticar baseada apenas numa única vez. Porém, entendo aqueles que se recusam a voltar a um local depois de terem tido uma experiência ruim.

O que estamos falando no post passado e no de agora é o seguinte, e vale para todos os estabelecimentos: queremos bom atendimento, preços justos e qualidade no que é servido. Essa tríade é o sucesso de qualquer lugar. Mas cuidado com o efeito bumerangue do sucesso e não perca a qualidade.”

Mas, enfim, sobre Mais Beirute, Menos Cão Véio, o título foi simbólico, metafórico. Ele não é literal como alguns interpretaram. O Beirute representa inúmeros outros tradicionais lugares de Brasília, e o pub Cão Véio, o novo de forma geral que chega com sucesso de grife de fora, como outros já chegaram e depois não pegaram. Vida longa a Beirutes e Cães Véios! O que estamos falando no post passado e no de agora é o seguinte, e vale para todos: queremos bom atendimento, preços justos e qualidade no que é servido. Essa tríade é o sucesso de qualquer estabelecimento.

Pode vir !

O que aconteceu comigo na sexta-feira passada confirmou a minha teoria de “se abra para a cidade que ela se revelará para você”. Uns amigos tinham me chamado para um lanchinho de fim de tarde num café na Asa Norte. Eu me atrasei muito e recebi o aviso de que o local já estava fechando e o programinha sendo encerrado. Fiquei frustrada com o desencontro. Minutos depois, recebi a mensagem: “Samanta, andamos um pouquinho aqui pela quadra e descobrimos um lugarzinho interessante, não vamos mais embora. Pode vir”.

Eu fui e, junto com meus amigos, conheci um lugar perto da minha casa que nem sabia que existia. Por acaso, fui apresentada ao bar Galeria Mundo Vivo , na 413 Norte. Um recanto, numa esquina, escondido, mas a céu aberto, perfeito para aquela noite, com vinho, aquecedores, bons petiscos, feitos por simpáticas cozinheiras que eu bisbilhotei da janelinha da cozinha. Um espaço gastronômico com arte. Ao lado um pequena galeria abriga exposições.
E, para ficar perfeito mesmo, eu, que tenho ressalvas a lugares com música ao vivo (não é qualquer um com qualquer música que combina – tema para outro post), me encantei com o que ouvi. Tudo estava harmonizado: o ambiente, as comidinhas e o som. Fomos brindados com a apresentação do duo instrumental brasiliense Mandrágora.

Eu já conhecia a esquina de cima , onde tem a gostosa creperia In The Garden e o  bar Vitrola. Como o perfeito pode estar no acaso! Quantas vezes fazemos planos de uma saída  e não encontramos aquilo que esperávamos? Saia aberto para mudar de rota ou dar alguns passos ao redor  e conhecer lugares novos que nunca ouviu falar. Eu quero muito compartilhar aqui esses cantinhos, como os da Vila Planalto, do Cruzeiro, Setor de Oficinas Sul, entre tantos outros. E convido a todos a compartilharem por aqui também as suas descobertas! Eu me surpreendo quando menciono que fui a um lugar e as pessoas dizem que nunca ouviram falar. Mas temo também em criar muitas expectativas. É preciso ir desarmado, realmente optando por uma nova experiência e que pode ser melhor ou pior da que eu vivi. Mas vale a aventura. Se um lugar tem fila na porta ou já estava fechando, vá para outro e não desista de passear pela sua cidade.

PS – Tá bom, vai… Nem tudo foi perfeito… A empolgação de esticar a noite que estava congelante, com sensação térmica de 10•C, me provocou uma crise de sinusite que me derrubou no fim de semana. Mas valeu! Dedico este cantinho de hoje aos meus amigos daquela noite que a fizeram perfeita: Marcelo, Ana Julia, Raul e Teresa Mello, que fez uma das fotos do texto. A amizade sempre esquenta nosso coração.

Você também pode gostar

4 Comentários

  • Reply
    Gilson
    2017-07-18 at 09:55

    Galeria Novo Mundo ou Galeria Mundo Vivo?

    • Reply
      Samanta Sallum
      2017-07-18 at 10:42

      Galeria Mundo Vivo ?

  • Reply
    Leo Medina
    2017-07-18 at 14:25

    Eu fui a esta galera, ela é realmente uma lindeza. Experiência muito positiva, e também perto de casa 🙂

  • Reply
    Ricardo
    2017-07-18 at 16:45

    Brasília, desde que me conheço pro gente, tem isso. Do mesmo jeito que olhamos para o exterior, em Brasília se olha para São Paulo em termos de comida. Hoje, moro em São Paulo. Quantas vezes recebi gente que pedia para os levasse ao “endereços da vejinha”…que no fim, não eram nada demais quando comparados ao “beirutes” de São Paulo. Depois de morar em São Paulo vc passa a entender que não existe “o melhor”, mas aquele que te agrada, seja no paladar, no atendimento ou na comodidade. Brasília não tem isso. E, me desculpe, posso estar virando paulista. Mas o serviço é péssimo. Da ultima vez que estive aí, no Rubayatt, o atendimento parecia surreal. Muito ruim.

  • Deixe uma resposta