19 de maio de 2019
Olhar Brasilia

Paul Setubal

Espaço convidado

Não Matarás

Convidado: Alan Marques é mestre em Comunicação pela UnB e há 25 anos trabalha como jornalista e fotógrafo em Brasília.

“Em época de crise, fique do lado do artista”.  
Mário Pedrosa

O Museu Nacional da República é a trincheira da arte brasiliense, brasileira, mundial, na Capital Federal. É o lugar de resistência, da Democracia. No começo de agosto, para reforçar essa minha visão, o espaço traz a exposição Não Matarás, elaborada para ser uma resposta poética-lumínica às questões soturnas que envolvem o Brasil.

Essa mostra é resultado do espírito contínuo da curadoria do museu, que procura sempre construir pontes artísticas para vencer os muros que tentam dividir o país. Apesar do título remeter ao quinto mandamento bíblico, a conotação dada à mostra não tem nenhuma relação religiosa, ela é puramente intuitiva, reflexiva e construtora na abordagem de caminhos para se sair da crise. O ponto de apoio dado pelo museu é o combate artístico.

Foto de Bené Fonteles

Serão apresentadas 58 obras doadas por José Zaragoza sobre o golpe militar de 1964 que, somados à 25 expoentes artísticos brasileiros, provocarão o público a pensar na nossa democracia e o momento sinuoso que a nossa sociedade passa. Como disse Mário Pedrosa, de quem tomo emprestado o pensamento para o título deste artigo, em tempos de crise é necessário estar do lado do artista.

A ideologia da mostra é da liberdade de expressão e do livre pensamento. A trincheira humanística proposta pela curadoria do museu é que: a visão do artista está longe da panfletagem partidária e da ideologia rasteira. Para tanto, Não Matarás reunirá cerca de 90 obras polifônicas com esculturas, pinturas, instalações, vídeo arte e projeções de artistas do nível de Siron Franco, João Câmara, André Parente e do grupo Corpo Performático.

A tessitura da exposição é feita por fragmentos de textos de Millôr Fernandes, Manoel de Barros, Ariano Suassuna, Darcy Ribeiro, Carlos Drummond de Andrade, Vinícius de Moraes, Eduardo Galeano, TT Catalão e Luís Turiba entre outros para provocar a visão do público entre uma obra e outra. A ligação dinâmica entre as várias formas da arte conectará todo o museu como um órgão vivo e pulsante que luta, resiste e combate.

Encravado no umbigo de Brasília, o museu luta com suas armas para manter o nosso espírito vivo. Ele prova, que cada vez mais, precisaremos dos artista para entendermos a humanidade, a nossa sociedade e a nós mesmos.

Exposição Não Matarás abrirá dia 3 de agosto, às 20h, no Museu Nacional do Conjunto Cultural da República. Informações: 3325-5220

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