Olhar Brasilia
Marcia Zarur

“Não precisa isso”

Maria Vanessa Veiga Esteves, de 55 anos, foi morta a facadas depois de entregar tudo o que tinha, sem reagir. Foi assassinada na porta de casa, na 408 Norte, enquanto dizia aos bandidos: “Não precisa isso!”

Era uma colega jornalista, funcionária pública, que os amigos descreviam como uma pessoa generosa, simpática e cheia de garra. Eu não a conheci, mas é como se tivesse convivido com ela pelos relatos que ouvi de amigos em comum. É como se tivesse conhecido, porque há dois anos ela adotou a minha cidade e fez dela a sua casa.

Morava na Asa Norte, trabalhava num Ministério da Esplanada. Uma rotina comum a tantos brasilienses… A Brasília, que eu não canso de dizer que acolhe quem chega e abraça quem se deixa abraçar, mostrou sua face mais violenta, cruel e impiedosa. A face que nos amedronta e nos equipara aos outros grandes centros urbanos brasileiros, onde a vida não vale nada.

Tudo me choca nesse crime terrível. A dor irreparável da família e dos amigos em primeiro lugar. Mas não tem como não pensar na insegurança concreta que se instalou em Brasília.

O governo tenta diminuir o choque divulgando números. Diz que em julho deste ano foram 2 casos de roubos seguidos de morte, enquanto que no mesmo período do ano passado foram 6. De janeiro a julho, foram 20 registros, contra 28 no mesmo período em 2016.

Mas os moradores sabem que as estatísticas não resolvem nem consolam. E que a violência continua assustando em todas as cidades do DF. Quarta-feira passada, o comerciante Clodoaldo Alencar, 47 anos, levou dois tiros na cabeça durante um assalto em Sobradinho. Esta semana, Vanessa Esteves foi morta com 4 facadas na Asa Norte. Não há mais lugar seguro. Os moradores estão reféns do medo, e os bandidos andam por aí cada vez com mais naturalidade. 

Onde será o crime na próxima semana? Até quando vamos conviver com essa sensação crescente de insegurança? E quais as soluções pra esse problema, que hoje é o pior de todos?

Gostaria muito de ter respostas, ou de pelo menos poder vislumbrar dias melhores no futuro. Uma Brasília serena e segura para os meus filhos construírem a vida. Mas hoje não consigo ter esperanças. Só consigo pensar na crueldade desses criminosos, que esfaquearam uma mulher que, sem reagir, pedia – “Não precisa isso”!

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10 Comentários

  • Reply
    Marcela
    10 de agosto de 2017 at 07:37

    Uma pena, perto da casa de um amigo. Ele está apavorado!

  • Reply
    Eugênio
    10 de agosto de 2017 at 10:28

    Toda morte de outra pessoa ou ser vivo é minha morte. Nós somos o outro. E o outro que mata, sou eu que mato.
    Para me compreender e saber por que mato, precisaria saber mais do outro.
    Eu, tu, nós, uma comunidade sem diálogo.

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    ADRIANA MAGALHAES ALVES DE MELO
    10 de agosto de 2017 at 13:56

    triste demais ver no que Brasília vem se transformando…

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    Valeria MP Allam
    10 de agosto de 2017 at 21:02

    Pelo que soube ela deixou o Rio por causa da violencia. Que vergonha para Brasilia???

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    Albertini Xavier
    11 de agosto de 2017 at 02:09

    Lamentável o ocorrido. Brasília tem má e tornado uma cidade perigosa, mesmo acontece com outras cidades. Me pergunto. O que tem acontecido com os habitantes deste planeta. Somos humanos mas estamos perdendo nossa humanidade. Muito triste!!!!!

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    Anna Grebot
    11 de agosto de 2017 at 07:24

    Algo precisa ser feito rapidamente, antes que fiquemos como o Rio de Janeiro. Lá, a constante negação dos fatos, levou a violência a números comparáveis somente com as piores guerras. Não podemos fazer o mesmo aqui.

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    Elza Maria de Mello
    11 de agosto de 2017 at 11:15

    Muito triste e preocupante mesmo esse crime!!!
    Assim como o OLhar Brasília – estamos nós, toda uma sociedade vítima em potencial, aguardando soluções!
    Para a Polícia, foi mais um na cruel e inadmíssível estatística do crime, para a família, foi o pior de todos!

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    Francisca Horowitz
    12 de agosto de 2017 at 10:22

    Muito triste estes acontecimentos!!! Morei na 408 Norte por muitos anos e era uma quadra tranquila .
    Como estamos vivendo num país onde os políticos fazem o que fizeram e quase ninguém é punido, fica impossível não concluir que estamos aceitando que o pior possa acontecer…O exemplo é os acontecimentos de universitários nos bares da mesma quadra 408. E ninguém toma providência para o silêncio dos moradores? As leis existem , mas não são respeitadas e cumpridas?? Que país é este que estamos vivendo? Vamos pensar nisto AGORA!!
    Bom final de semana para todos !

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    Antonio da Costa Neto
    12 de agosto de 2017 at 11:07

    VIOLÊNCIA EM BRASÍLIA, NO BRASIL E NO MUNDO
    Infelizmente, é desesperador e eu, particularmente, não vejo saída. Primeiro porque não se resolve problemas complexos com soluções simplistas, como, por exemplo, acirrar o policiamento, a perseguição, o castigo. Claro que tudo isto é necessário, mas polícia, cadeia, castigo é só um paliativo. É preciso ter uma visão mais complexa da verdadeira causa do problema que é a abusiva concentração do poder e da riqueza e ninguém faz nada para diluir isto, para mudar um pouco esta realidade.
    Vivemos numa situação mais do que caótica em que os míseros 10 por centro da população (a elite branca e burguesa) ficam com mais de 90 por centro do dinheiro, da riqueza, do poder de decidir e de viver. É, claro, muita, mas muita gente mesmo, ou seja, 90 por cento do povo correndo atrás, se matando e se esmolando pelos 10 por cento do dinheiro, do poder de compra e dos recursos para viver com um mínimo de dignidade. A princípio a causa disto tudo é o famoso “POUQUÍSSIMA GENTE COM MUITO E MUITÍSSIMA GENTE COM QUASE NADA”. E isto é, sem dúvida, numa sociedade capitalista a causa de tudo, de todos os problemas e conflitos., o que não fica só no âmbito material, mas da cultura, da ideologia, do conviver, dos valores, da espiritualidade, do amor no sentido filosófico do termo.
    Acontece que as ideologias são poderes, As formas de pensar são poderes. As pessoas TÊM MEDO DE ENFRENTAR ESTE TIPO DE SITUAÇÃO. Mexer nisto é alterar a riqueza dos ricos, o poder dos poderosos e ninguém quer isto e esta coisa retrógrada se repete em todos os segmentos, na educação, na saúde, na habitação, na infra-estrutura, enfim em tudo. O problema é a mentalidade, ninguém quer, ninguém sabe. Tudo é feito encima da ignorância absoluta, na ingenuidade, na alienação astuta de todos, de quem faz, de quem manda, de quem governa e é governado, de quem ensina e é ensinado, sendo que a ignorância política e ideológica é total e brutal e é aí que se tem que investir e algo ser feito.
    Tenho um programa de planejamento para organizações, empresas, escolas, visando esta oxigenação, esta nova ótica, mas não consigo nada neste sentido. Onde quer que eu vá as pessoas acham lindo, mas investem completamente contra, no sentido de dificultar a coisa,de não deixar acontecer. trata-se da METODOLOGIA DO PLANEJAMENTO SISTÊMICO-CONTINGENCIAL, este sim, pode formar a consciência ideal e abrir todos os caminhos para a solução deste e todos os outros problemas que enfrentamos. Procuro parcerias e se alguém estiver disposto a encarar comigo este desafio, me procure, vamos conversar, mostro tudo e a gente define. Trata-se de um grande projeto de reeducação, consultoria, condução de uma nova visão radicalmente nova e neste sentido, nas empresas, na economia, nas famílias, nos órgãos públicos, nas prefeituras, etc. Falem comigo e vamos pensar juntos: Antonio da Costa Neto – E-mail: antoniodacostaneto@gmail.com – Zap 61 99832 25 37. No aguardo. Vivamos a vida.

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    Fabio
    12 de agosto de 2017 at 11:17

    Alguma coisa precisa ser feita e logo. Todos nós temos pelo menos um caso de assalto pra contar aqui em Brasília. Aquela região por sinal é conhecida pelo alto número de assalto a pedestres. Os assaltantes pelo que li a respeito já vinham agindo na véspera na mesma quadra e foram inclusive objeto de denuncia a PM. Precisamos criar um movimento de defesa, inteligente envolvendo moradores, perfeitos de quadra, síndicos, grupos de WhatsApp e Polícia Militar. Vigilância, denúncias, inteligência e efetividade. Vamos pensar em algo?

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