21 de agosto de 2019
Olhar Brasilia
Lá na minha rua

Barulho do Na Praia provoca ‘grito’ de juiz

A cidade não pode ser vista como mero aglomerado de pessoas reunidas apenas pelo interesse de crescer e reproduzir-se (como porcos …), com a preocupação estrita de se fazer dinheiro a qualquer custo.”

Um forte manifesto pelo resgate dos espaços culturais da cidade. Uma crítica afiada à “deterioração” do projeto urbanístico de Brasília. A decisão do juiz Carlos Frederico Maroja, da Vara do Meio Ambiente, determinando que o evento Na Praia deixe de incomodar a vizinhança com níveis altos de barulho, é um ‘grito de alerta’. Um grito por atenção e apoio à arte e à cultura da cidade, que ele deixa bem claro serem diferentes da “indústria cultural”. O juiz destrincha o cenário atual de abandono citando música de Renato Russo e apontando que o “desprezo” às leis de licenciamento e à fiscalização provocou a atual grave crise hídrica que a capital enfrenta.   

Veja aqui trechos da decisão de Maroja desta semana, que merecem destaque e reflexão. Ele estipulou multa de R$ 2 milhões por dia se os organizadores do Na Praia não reduzirem o barulho nas festas e shows, na orla do Lago. Resposta à ação ajuizada pelos moradores da região.

Chatos e Puristas

“Artistas e produtores culturais acusam os moradores que exigem respeito à lei do silêncio de chatos, puristas e higienistas que querem transformar Brasília numa grande fazenda, intolerantes para com a arte, em detrimento de empresários que desejam apresentar espetáculos em qualquer lugar e de qualquer modo. Como se para produzir arte seja absolutamente indispensável incomodar o vizinho, como se o direito a se ganhar dinheiro com arte se sobreponha ao direito à tranquilidade…”

Tédio com T bem grande para você

“É bem verdade que num quadrante histórico em que o obscurantismo avança para todos os lados, especialmente numa cidade que desde sempre se defronta com o ‘tédio com um T bem grande pra você’, os espaços destinados à divulgação de arte e da cultura devem ser por princípio defendidos, preservados…. De fato, o quadro que atualmente se delineia para as artes no Brasil e, mais particularmente, em Brasília é calamitoso…”

Abandono do Teatro Nacional

“Em Brasília, redutos tradicionais e queridíssimos da população, tais como o Teatro Nacional, Biblioteca Demonstrativa e Espaço Cultural Renato Russo, encontram-se há anos fechados, abandonados, em franca deterioração (em que pese o reconhecimento dos ingentes esforços do atual Secretário de Cultura)… Instituições de excelência como a Escola de Música e a magnífica Orquestra Sinfônica de Brasília só resistem gracas à abnegação e ingente trabalho de heróis como o maestro Claudio Cohen…”

Talvez pela deplorável situação de abandono ilustrada, há que se lastimar que a cena cultural brasiliense seja mais ativa na defesa dos interesses financeiros dos empresários do que com a luta contra retrocessos ou pela revitalização de sítios e eventos realmente comprometimentos com a arte pela arte.”

W3

“O Setor de Diversões Sul… tornou-se um aglomerado de inferninhos e seitas religiosas que convivem pouco amistosamente com o pouco de arte que ainda se produz por ali por alguns bravos resistentes. O mesmo se diga da via W3, de inegável vocação cultural e objeto do excelente projeto do arquiteto Frederico Flósculo visando sua transformação em corredor cultural, cuja implementação jamais sequer foi tentada.”

Crise Hídrica

“Em Brasília o desprezo pelas leis de licenciamento e fiscalização resultou na subversão e deterioração de um projeto urbanístico que se pretendia organizado e racional, num vício social que hoje cobra seu preço na forma da grave crise hídrica que ameaça até mesmo as condições de possibilidade de subsistência humana por aqui, num futuro não tão distante.”

Rock e Sertanejo 

“A cidade é espaço iminentemente democrático. Nela há de se conviver o ricaço com o sem-teto, o nacional com o estrangeiro, o roqueiro com o sertanejo, e tantos outros modos de viver e sentir, de modo respeitoso e o mais harmonioso possível. É bem sintomática a proliferação de condomínios fechados e dos esforços por fechar, murar, cercar, isolar e segregar, e evitar o outro na chamada ‘arquitetura defensiva’… obviamente incompatível com a ideia de construção de uma sociedade democrática, igualitária e harmoniosa.” 

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Um comentário

  • Reply
    poltronas para cinemas
    2018-02-27 at 22:02

    Olá Pessoal, Sempre estamos visitando o site, Um abraço do pessoal da http://www.poltronasparaauditorio.com.br

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