Olhar Brasilia

Acervo da página Histórias de Brasília

Marcia Zarur

Antigas salas de cinema…

As fotos da página Histórias de Brasília sempre me levam a uma viagem ao passado. Não sou do tipo nostálgica, mas, de vez em quando, é gostoso relembrar bons tempos da cidade.

Essa foto do Cine Karim me traz as melhores recordações da infância. Foi ali que assisti a ET, me desmanchando em lágrimas… E esta lanchonete?! Era um luxo comer sanduíche no Food’s ou no Truc’s, mas só em certos fins de semana festivos – era raro e valorizadíssimo por nós, crianças!

Ir ao cinema era o meu programa favorito, e ainda é, até hoje. A gente se arrumava como se fosse pra festa. As salas eram tão grandes quanto a nossa expectativa, e era como se a gente pudesse mapear as emoções por cada cantinho da cidade. O Cine Atlântida, no Conic, era pra morrer de rir com as últimas aventuras de Os Trapalhões. O Cine Karim, na 112/113 Sul, e o Cine Márcia, no Conjunto Nacional, eram para as estreias de Hollywood. Footloose e Top Gun tinham fila na entrada.

Olha aí mais uma foto-relíquia do Histórias de Brasília pra matar as saudades:

E ainda tinha o meu cinema favorito, onde eu via todos os desenhos da Disney: o Karim Criança! Eram duas salas menores num cantinho também do Conjunto Nacional, com as paredes coloridas, pintadas com motivos infantis e uma vitrine interminável de balas, chocolates e guloseimas além da imaginação… Os clássicos Branca de Neve, Bela Adormecida, Pinóquio e tantos outros, pra mim, tinham um sabor muito diferente naquele ambiente mágico.

Telas da Resistência

A experiência do passado de sair de casa única e exclusivamente para ver um filme foi substituída pelo combo cinema+consumo na infinidade de salas pasteurizadas dentro dos shoppings. O belíssimo Cine Brasília e o original Drive-in são as únicas telas da resistência, que permanecem desafiando a onda moderna. São apenas duas salas, numa cena de quase 90 instaladas nos shoppings do DF.

O Cine Brasília é a casa do tradicional Festival de Cinema, e encanta pelo projeto de Niemeyer, o letreiro retrô, a escultura de Athos Bulcão em alto-relevo na parede interna… Na 106/107 Sul, só o prédio já vale a visita, mas a programação independente é um convite a mais pra ficar e curtir uma sessão em poltronas de couro.

Aliás, as poltronas originais, desenhadas pelo renomado arquiteto e designer Sérgio Rodrigues, foram substituídas na reforma de 2014, e, pelo que consta, estão “armazenadas” em algum lugar do Teatro Nacional. Clara demonstração de ignorância, desperdício do patrimônio e negligência à memória. Uma pena! 

Mas, voltando à magia dos cinemas antigos, que tal separar um tempinho neste fim de semana para um filme no Cine Brasília? Ou levar as crianças para uma sessão divertida no Drive-in? Fica aqui o meu convite pra que nós, moradores, saibamos aproveitar o que a cidade tem de bom!

 

 

 

 

 

 

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Um comentário

  • Reply
    Sandra Beatriz
    31 de agosto de 2017 at 07:41

    Lindas memórias de infancia. As minhas vão mais longe e incluem o antigo Cine Cultura na W3 507 Sul, o cine Bruni no Setor Bancário Norte e as projeções de fim de semana no Clube do Congresso ou na Escola Parque, quando o seu auditório não estava apresentando excelentes peças de teatro, com Yona Magalhães, Paulo Autran e outros grandes atores, ou concertos como os de Guiomar Novaes, Magdalena Tagliaferro e outros pianistas famosos.

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