Olhar Brasilia
Samanta Sallum

A culpa é sua, cidadão!

A culpa é sua, cidadão! Sempre sua, que deixou para última hora, sobrecarregou o sistema de informática e aí nada funciona. É o que eles alegam para justificar a própria ineficiência.

Nós estamos reféns dos entraves de um “sistema” que sempre falha em nos servir, mas é muito eficiente em nos cobrar. Milhares de brasilienses estão passando por uma via-crúcis para regularizar os seus veículos no DF. A população é aterrorizada pelos avisos do Detran de que a fiscalização será reforçada. Não pagou seus impostos, não tem seu documento em dia: carro apreendido.

Se o cidadão tenta regularizar a situação, já é punido previamente, com a burocracia emperrada que nos maltrata.

Já reparou que a culpa é sempre do ‘sistema que está lento’ ou ‘travado’? E agora nós perguntamos: de quem é a culpa de travar tanto?! É fácil, né, culpar o tal sistema de informática, que não tem cara nem nome, não responde a processo administrativo. Aí, eles dizem que a culpa é nossa!” 

Eles, o Estado, são muito organizados. Nós é que somos os problemáticos, que não cooperamos com o “sistema”…

Não, o Estado que deveria estar devidamente equipado para atender a população até o último minuto do prazo em que ela tem para resolver uma pendência.

Por que os documentos de licenciamento não chegaram às nossas casas? Por que temos de recorrer a um protocolo impossível de se retirar pela internet porque o sistema vive fora do ar?  

Coisa mais revoltante ouvir isso a toda hora como justificativa para que os serviços não funcionem. No banco, na loja da telefônica, no atendimento da TV a cabo. E nos serviços públicos, nem se fala!

O cidadão é sempre punido. Estamos em crise de racionamento de água, sofremos apagões e à mercê de bandidos!

Lembro uma vez que, em pleno apagão na cidade à noite, sem sinais funcionando, trânsito um caos, as viaturas do Detran e da PM estavam lá multando todos os carros em fila dupla nas comerciais do Plano Piloto. Mas, naquele momento, as pessoas precisavam de luz e segurança.

Como há 2 semanas, quando testemunhei uma senhora sendo ameaçada, na comercial da 209 Norte, por uma moradora de rua com um facão, e o carro do Detran passava no local alheio, enquanto algumas pessoas apavoradas pediam socorro para ajudar a senhora.

É essa Brasília que queremos? Duas falhas do Estado ali, de segurança e de assistência social.

De forma alguma, estou pregando aqui que o Detran não deva punir e fiscalizar. Sim, deve! O problema é o desequilíbrio entre a cobrança de deveres e a garantia dos direitos da população. Nós nos sentimos órfãos, maltratados.

Ps – Desculpe tantas exclamações no texto. Mas só elas conseguem expressar a absurda forma como o cidadão tem seus direitos feridos em todos os setores.

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