Olhar Brasilia
Marcia Zarur

Pare o Brasil que eu quero descer!

Tá difícil acreditar no país do futuro. Bem complicado tentar ver uma luzinha no fim do túnel. A gente só se depara com notícia-bomba e roubalheira! Mas, mesmo quando parece que o Brasil chegou ao fundo do poço, sempre tem como afundar um pouquinho mais…

Como assim um apartamento vazio pra guardar dinheiro de propina? É isso mesmo? Não é roteiro de cinema ou trama mirabolante de novela?

Nojo! Revolta! Indignação! Não tem palavra que traduza o que o brasileiro sente quando vê as pilhas de dinheiro encontradas pela polícia com as digitais de Geddel Vieira Lima. As montanhas de notas de 100 e 50 reais são um soco no estômago de quem trabalha, paga impostos, rala pra ganhar pouco e fazer tudo direito.

Ouvi hoje que foram 8 máquinas de contar cédulas, 20 pessoas se revezando por 12 horas seguidas pra calcular a fortuna de mais de 51 milhões de reais. É prêmio de mega-sena acumulada, que faz muita gente sonhar. Nem vale a pena tentar imaginar o que poderia ser feito pra população com todo esse dinheiro…

A intuição de Renato Russo nunca foi tão certeira. Na década de 70, ele estudou com Geddel em Brasília e dizia que o colega era “insuportável”, como relata o jornalista Carlos Marcelo no livro Renato Russo, O Filho da Revolução. Naquela época, Geddel, filho de deputado, posava de bacana, tirava onda que seria político, mas tinha o apelido de suíno na escola. Apropriado para o mar de lama que agora vem à tona.

“Pare o mundo que eu quero descer
Por que eu não aguento mais notícias de
Corrupção, violência que não param de aumentar
E pensar que a poluição contaminou até as
Lágrimas e eu não consigo mais chorar”

A música de Raul Seixas, de 1976, nunca foi tão atual. Mas, quando bate o desespero e a gente pensa “Pare o Brasil que eu quero descer”, precisamos lembrar que esse país é nosso e que somos nós os responsáveis por mudar isso tudo. Que tal começar pelas eleições do ano que vem? Esse recado vai para o Brasil inteiro, afinal, Brasília não merece continuar recebendo ‘Geddéis’, ‘Cunhas’ e outras figurinhas conhecidas que saqueiam o nosso dinheiro. Brasília não tem culpa e realmente não merece…

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5 Comentários

  • Reply
    Carlos Eduardo de Castro Serra
    7 de setembro de 2017 at 13:05

    Diminuído o número de cinemas pelo DF, a partir da década de 90, o Cine Drive In sobrevive e foi reformado em 2015 devido a colaboradores (crowdfunding). O Teatro Nacional se mantém fechado há 3 anos ou mais, a Orquestra Sinfônica arranjou local para ensaio e ainda existe (coisa que não aconteceu com o basquete masculino). A Biblioteca Demonstrativa do INL continua em reforma. As Escolas Públicas deveriam ser midiateca e oferecer acesso a Internet banda larga com velocidade de conexão e terminais suficientes para 45 a 50 usuários simultâneos. Sem cultura (livros, musica, artesanato, teatro…) e prática de esportes (origem e renovacao de atletas, esportistas e desportistas) a educacao basica está capenga.

    • Reply
      Marcia Zarur
      7 de novembro de 2017 at 21:52

      Verdade Carlos Eduardo. A população segue perdendo…

  • Reply
    Elza Maria de Mello
    7 de setembro de 2017 at 15:43

    Se possível, queria mesmo que o Brasil parasse, e, agora!! urgente!!!!
    Não há nem o que acrescentar ao comentário da jornalista Marcia Zarur!
    Perfeito!!!
    E uma lástima que esteja tão perfeito!
    Afinal, ela traduz uma cena de fotos de pilhas de dinheiro, largados num pequeno apto, que nos mostram um Brasil completamente imperfeito!!
    Para mim, ver estas pilhas foi uma verdadeira afronta à dignidade de milhões de brasileiros que vivem na mais absoluta miséria!
    Não há o que comemorar também nesse 7 de setembro!
    Parabéns Márcia!!
    E agradeço por ter tão bem traduzido o que todos nós, brasileiros sérios e humanos, sentimos!

  • Reply
    Marcos Mattos
    9 de setembro de 2017 at 01:38

    “Um pedido para o Brasil: por favor parem de mandar políticos corruptos pra Brasília.”, super endosso e me solidarizo com suas palavras Marcia Zarur, bem destacadas, porque os bandidos que são eleitos e enviados pelos eleitores de outros estados brasileiros, nos traz um fardo pesado e injusto. Nós que moramos aqui (alguns nascidos na cidade), não merecemos a cruel responsabilização que nos impõem, que façam – os outros – o “mea culpa” e peçam devolução às suas unidades federativas as desgraças enviadas por pessoas que não sabem como exercer o direito do voto.

    • Reply
      Marcia Zarur
      7 de novembro de 2017 at 21:50

      Exatamente Marcos. Brasília não merece carregar esse peso…

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