Olhar Brasilia
Samanta Sallum

O eco e o silêncio do Brasil

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Um amigo carioca, que nunca esteve em Brasília, me escreve um comentário sobre a baixaria do jogo político que acontece no Congresso Nacional. “Samanta, que pena que a capital seja tão afastada dos grandes centros. Parece que fizeram questão de isolar o poder para cometer mais absurdos longe dos olhos da população”, lamenta ele.

Eu entendo o que ele quer dizer, mas retruco: “Brasília hoje não está isolada. Brasília é o terceiro maior centro do país. Temos 3 milhões de habitantes. Tem muita gente aqui para fazer barulho. Mas é a cidade ou o país que está em silêncio ou em barulho?”

O meu amigo carioca, como milhões de brasileiros que nunca estiveram em Brasília, só conhece a capital pelas imagens da grande imprensa. Essas imagens se restringem ao Congresso, ao Palácio do Planalto e à Esplanada dos Ministérios.

Parece que os protagonistas, os donos da cidade, são apenas eles, os políticos. Parece que não existe cidade de verdade, gente de verdade. Para o resto do país, ainda somos uma ilha da fantasia ou uma cidade assombrada por fantasmas, sede da Casa dos Horrores.

Mas os personagens do “Reality Freak Show” são enviados de todo o Brasil. Cada estado está muito “bem representado” por aqui…

E tem parlamentar que esbraveja: ‘Menos Brasília, mais Brasil!’. Oh, meu camarada, refaça a frase: ‘Menos politicagem e mais Brasil!’

A população de Brasília já é robusta o suficiente para fazer muito barulho e representar os brasileiros. Brasilienses de todas as classes sociais foram às ruas várias vezes protestar. Estavam presentes agora no último feriado, ao desfile de 7 de setembro, na Esplanada, aplaudindo a Polícia Federal.

Aqui, temos, sim, o eco e também o silêncio do Brasil. Aqui tem bateção de panela, tem pneu queimado, fogos de artifício, samba, choro, revolta, alegria e, sim, também, omissão, silêncios desconfortáveis, que ferem ouvidos. Mas uma coisa, meu amigo, te garanto: Brasília também representa a contradição do Brasil. Não é um pedaço isolado e amorfo do país. Pelo contrário, Brasília, no seu de melhor e de pior, hoje, é reflexo do país…

 

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Um comentário

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    Patrícia fernandes
    14 de setembro de 2017 at 00:10

    Muito bom texto, parabéns! Os moradores de Brasília agradecem.

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