19 de abril de 2021
Olhar Brasilia
Samanta Sallum

Quando o coração transborda no mar da Esplanada

Sábado passado, tive uma sensação muito forte e não tão frequente como eu gostaria: de estar no lugar certo, na hora certa, com as pessoas certas. O sentimento de que você está fazendo exatamente o que deveria naquele momento, apesar de todas as dificuldades.

Era preciso cruzar a cidade da Asa Sul até um condomínio no Jardim Botânico. E havia um lindo e grande obstáculo na rota. Havia um mar a ser atravessado, em plena Esplanada dos Ministérios.

Era o mar de gente, de brasilienses correndo. Não era protesto, não era passeata política. Eram milhares de pessoas com seus tênis iluminando os caminhos da capital, participando de uma corrida de rua noturna. Apesar de provocar atraso, eu adorei estar no meio daquela multidão. Enquanto ela tomava conta da Esplanada, em outro canto da cidade, da garagem de uma casa, irradiavam poesia, literatura e teatro.

Conseguimos chegar em tempo para a “garagem poética”. E, de lá, fomos transportados ao universo do teatro de rua com a performance visceral de Maíra Oliveira em Quando o coração transborda. Maíra é filha de Ary Pára Raios, que fez história em Brasília com a trupe Esquadrão da Vida , criada em 1979. O grupo se apresenta pelas ruas levando cultura e arte popular pelo nosso Quadradinho.

Herdeira do talento cênico do pai, que faleceu em 2003, ela conta a trajetória dos dois, num tom pessoal,  no Esquadrão da Vida. A atriz, a diretora e a palhaça entram em cena e nos fazem rir, chorar e cantar. E é ela quem nos diz com um sorriso vermelho oceânico e com os olhos pulsantes nos fisgando pela emoção: “Eu estou com essa sensação muito forte de que estar aqui estou cumprindo meu destino, estou no lugar certo, na hora certa, com as pessoas certas”. 

Nossa, imagine então que sempre que você estiver diante de alguém pode ser a pessoa certa, na hora certa, no lugar certo. Isso é o maior elogio, honra, emoção que a gente pode experimentar. Eu me senti muito especial em estar ali entre aquelas pessoas que entregaram seus olhares ao espetáculo de Maíra e seu Esquadrão da Vida.

Emoção como essa que a escritora Alessandra Roscoe tenta espalhar por toda nossa Brasília a partir de sua garagem poética. Leva, especialmente para públicos que têm poucas condições de acesso à cultura, experiências como o Festival Itinerante de Leitura  Uniduniler, que o Olhar Brasília tem o orgulho de apoiar. O projeto precisa da ajuda de todos. Vamos apoiar !  https://benfeitoria.com/unidunilerIVFestival

PS – Sou carioca e me sinto no lugar certo, em Brasília, e na hora certa, aqui, escrevendo para vocês. Qual o seu lugar e a sua hora certa na cidade?

Você também pode gostar

Nenhum comentário

Deixe uma resposta