Olhar Brasilia
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O bar que todos nós inventamos  (E assim se passaram dez anos)

Texto de Marcelo Abreu / Imagens de Amaro Jr

Era 16 de outubro de 2007.  A noite começava. A comercial da 107 Norte engarrafava lentamente. Um monte de gente chegava. Havia um endereço novo naquele lugar. Um bar na esquina da quadra era o destino de todos que se dirigiam até lá.

Como assim, o Beirute se mudou pra Asa Norte? Como assim? O velho Beira da Asa Sul fechou as portas? Cochichos. Caras de espanto. Alguns sabiam exatamente o que estava acontecendo ali. Outros foram tomados pelo susto. Não. O velho Beira da 109 Sul não fechou nada. A 107 Norte ganhava uma filial do bar que mudou a história da cidade e se tornou, democrática e merecidamente, a sua melhor tradução. Naquele 16 de outubro nascia o Beirute Norte, ou, simplesmente, o Beirutinho, como muita gente o chama.  A voz do povo é a voz de Deus.

E de quem foi a ideia de um Beirute na Asa Norte? “A gente começou a perceber o volume de pedidos de entregas na Asa Norte e Sudoeste. Sentíamos que era hora da expansão”, lembra o publicitário Francisco Emílio Marinho, de 40 anos, um dos proprietários da filial. Ele, com o irmão, Marcelo Marinho, 45, e o primo Célio Marinho, 44, tocaram o novo projeto da família.

ORKUT

Decisão tomada, hora de procurar um ponto. “Vimos um na 212 Norte; e o outro, na 311. Isso tudo quatro anos antes da inauguração”, lembra Francisco. O ponto podia fazer toda a diferença. Foi quando, coincidentemente, o Otelo Bar, que existiu por muitos anos naquela esquina da 107, estava fechando as portas. Era ali. Francisco, Marcelo e Célio sentiram que seria ali. E foi. Começaram os longos dez meses de reforma para a nova casa.

Mas, para ter certeza de que a coisa daria certo, eles resolveram fazer uma pesquisa junto aos frequentadores do velho Beira da 109 Sul. No Orkut, sim, minha gente, era época do finado Orkut, foi realizada uma enquete. A pergunta era: O que você acha de um novo Beirute na Asa Norte?

Alguns internautas apoiaram. De cara.  Deram força. Vibraram. Outros se rebelaram. “Como? Na Asa Norte? Nada a ver”. Outros foram ainda mais categóricos: “O Beirute é da Asa Sul. É uma história particular”. Houve até quem lhes desse conselho: “Não façam isso. Será um risco. Não se mexe em time que ta ganhando”. Francisco sentiu, ali, que havia pano pra manga. E concluiu: “A discussão tá boa. Começou bem, mesmo antes de inaugurar”.

E assim nascia a história do único filho do velho Beira, que este ano completou 51 anos. O mesmo desenho das mesas: madeira com tampa de fórmica branca, o mesmo cardápio, o mesmo burburinho e, claro, a mesma cerveja estupidamente gelada. E estreou com caras mais que conhecidas na cidade. Para dar o pontapé, os velhos e queridos garçons do Beirute Sul, as marcas da casa, foram importados para a Asa Norte. E lá se foram Cícero, Chagas, Damião e Edmilson. Pronto. Não faltava mais nada. Era partir para o sucesso.

LEGADO

Naquela noite de burburinho de 16 de outubro de 2007, uma terça-feira quente de Brasília, o Beirutinho abria as suas portas. A cidade passou por lá. Contei a história, com exclusividade, no Correio. Meninos, eu vi. Eu vi um bar nascer na terra de JK. Eu vi um sonho virar realidade.

Hoje, dez anos depois, a família Beirute Norte cresceu. São 50 funcionários, entre os quais 14 garçons, auxiliares, serviços gerais e gerentes. O publicitário Francisco olha para trás e diz: “Valeu a pena. Foi a história do Beirute Sul consolidada na Asa Norte. Continuamos o legado com a cidade que a gente ama”. E ele continua: “E o que nos alegra também é ver o crescimento profissional de nossos empregados.” E cita o caso, um entre tantos, do paraibano Damião Fernandes, de 45 anos, 26 na casa, a simpatia do Beira Norte, que começou na copa, virou garçom e hoje é gerente. Damião é um vencedor.

Célio, um dos sócios e primo dos irmãos Francisco e Marcelo, define o Beirute: “Faz parte da história de nossas vidas”. Marcelo, o dentista que abandonou a profissão, para se dedicar aos negócios da família e se sente mais realizado agora, não hesita: “É uma tradição que se renova”. Francisco resume tudo, usando uma frase já escrita como título do livro do jornalista Fernando Fonseca, que marcou as comemorações dos 40 anos do velho e lendário Beirute: “É o bar que inventamos”.

“BRASÍLIA TOTAL”

Se realmente é o bar que todos nós inventamos, cada um se sente meio dono. “É essa a idéia: que cada um seja mesmo dono, parte do Beirute”, torce Francisco. E foi num fim de tarde desses dias de calor em Brasília que  chegaram ao Beirutinho os amigos André Ricardo Assis de Matos, militar de 42 anos, e  Sérgio Fonseca, 47, analista de TI do Banco do Brasil.

Assíduos frequentadores, desde a velha guarda do Beira Sul, os dois, hoje, se dividem entre as duas casas. André explica: “Aqui, eu gosto muito do chope. Lá, do filé à parmegiana, que é imbatível”. Sérgio define: “Lá, gosto dos garçons. Aqui, do ambiente, do público”. E resume: “O Beirute, aqui  e lá, na Asa Sul, é Brasília total. É liberdade, Legião Urbana, Diretas Já, nossas amizades, nossos sonhos, nossas vida na cidade”.

Então, anote aí. Se você estiver em Brasília no dia 16 de outubro, próxima segunda, vá àquela comercial da 107 Norte. Numa esquina também inventada por todos nós, se fez um bar. E desse bar nasceu, talvez, a tradução da cidade de JK. E por que não o DNA? Brasília só passou a ser real depois que as suas histórias começaram  a ser contadas.

E de pensar que o começo disso tudo isso se deu com três cearenses, miudiunhos, que largaram o sertão e vieram trabalhar como garçons num bar libanês de uma cidade que começava. Hoje, os filhos desses cearenses continuam a história dos pais. E escrevem uma nova e própria trajetória. Mas sem mexer em nada da sua essência.

Se o Beiruite não existisse, Brasília, muito provavelmente, não seria a mesma. Ou pelo menos a história da terra de JK seria contada bem diferente. Talvez nem fosse tão emocionante assim. Axé pra ti, Beira!!!!
Parabéns, Beirutinho!

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