24 de maio de 2019
Olhar Brasilia
Espaço convidado

ARUC – 56 anos de uma história de amor em azul e branco

Convidado: Moacyr Oliveira Filho é jornalista e presidente da ARUC.

No dia 21 de outubro, a Associação Recreativa e Cultura Unidos do Cruzeiro – ARUC, completa 56 anos de existência.

Para comemorar a data, a ARUC promove, no dia 22 de outubro, domingo, a partir das 13 horas, mais uma edição da sua tradicional Feijoada do Gavião, com a participação do conjunto Samba Show, Fabinho Samba, Carika, Milsinho, Dhi Ribeiro e da Bateria Ritmo Quente da ARUC, intérpretes, passistas, Velha Guarda e casais de mestre-sala e porta-bandeira. Os ingressos custam R$ 30,00, com direito à feijoada, que será servida até às 15 horas, e podem ser adquiridos na Secretaria da ARUC.

É impossível falar do Carnaval de Brasília sem falar da ARUC.

Fundada em 21 de outubro de 1961, por um grupo de funcionários públicos, transferidos do Rio de Janeiro para a nova Capital, a Associação Recreativa e Cultural Unidos do Cruzeiro construiu uma história vitoriosa, nesses 55 anos de vida.

É a maior campeã dos carnavais de Brasília e do Brasil, vencendo 31 dos 48 desfiles oficiais dos quais participou. Só não ganhou 16 desfiles, sendo que em 11 deles ficou com o vice-campeonato. Como se isso não bastasse, detém o recorde, inédito no país, de octacampeã do carnaval, de 1986 a 1993, superando o heptacampeonato conquistado por sua madrinha Portela, de 1941 a 1947.

Suas equipes esportivas têm uma trajetória vitoriosa, conquistando vários títulos locais, regionais e nacionais, em modalidades como o futsal masculino e feminino, o futebol de campo, o handebol masculino e feminino e o beach soccer.

Sem falar nos projetos culturais e comunitários, como o Cine Clube Gavião, o Concerto Canta Gavião, os cursos de capacitação profissional para a cadeia produtiva do Carnaval e as escolinhas de esporte para crianças carentes, desenvolvidos pela entidade.

Por tudo isso, a ARUC foi, oficialmente, registrada como Patrimônio Cultural Imaterial do Distrito Federal, pelo decreto n° 30132/2009, do Governador do Distrito Federal.

Mas quem vê essa trajetória vitoriosa, não imagina que a história da ARUC também teve seus momentos de crises e dificuldades.

Logo depois da sua fundação, em 21 de outubro de 1961, o primeiro presidente, Paulo Costa, se apaixonou por Maria Pé Grande, porta-bandeira da rival Alvorada em Ritmo, e abandonou a entidade recém-criada à sua própria sorte. Numa atitude que foi vista pelos cruzeirenses como uma tentativa de desestabilizar a escola que nascia forte. O incidente deu mote ao primeiro samba de terreiro da ARUC – Muita Gente se gloreia se o Cruzeiro morrer, de Jandira de Oliveira e Milton da Maninha, relatando a traição de Paulo Costa.

Mas, pela primeira vez, a garra cruzeirense apareceu e Seu Santana e Seu Durval, assumiram a direção da escola, plantando a semente que germinou e deu tantos frutos gloriosos.

Anos depois, em 1974, a escola foi desclassificada devido ao reduzido número de componentes, culminando com a terceira derrota seguida, calando fundo na alma cruzeirense.

Mas, de novo a garra da gente cruzeirense se manifestou, e surgiu Nilton de Oliveira, o Sabino, para reorganizar a escola e assentar as bases de uma estrutura vitoriosa que se mantém até hoje.

Em 1979, a ARUC estava linda, confiante em mais um penta- campeonato, com o enredo Iemanjá, um poema de amor. No entanto, um incidente, até hoje misterioso, impediu a vitória. Na hora do desfile, a bandeira oficial não apareceu na avenida, fazendo com que o casal de mestre-sala e porta-bandeira tivesse de improvisar uma pluma para desfilar no lugar do pavilhão, o que custou uma nota zero no quesito, impedindo a vitória que parecia certa. O inusitado é que ao amanhecer, a bandeira apareceu jogada na porta da casa de Dona Juraci, ao lado da quadra da escola.

No ano seguinte, em 1980, um carnaval desastroso custou uma nova derrota à ARUC, o que poderia levar a uma nova crise, agravada pela não realização do desfile oficial, em 1981.

Mas, de novo a garra cruzeirense falou mais alto, e Hélio dos Santos, um jovem que não sabia cantar, nem tocar, nem sambar, militando exclusivamente no esporte, assumia a direção da escola, para substituir Sabino, cansado e doente, reorganizando a entidade e, principalmente, seu Departamento de Carnaval, sob o comando de Roberto de Lima Machado, montando uma equipe criativa e talentosa, que revolucionou e modernizou o Carnaval de ARUC e de Brasília, abrindo uma nova série vitoriosa, que culminou no inédito octa-campeonato (de 1986 a 1993).

Sem falar nos anos em que o desfile das escolas de samba não foi realizado – 1981, 1994, 1995, 2003, 2015, 2016 e 2017, o que provocou uma tristeza profunda na alma da gente cruzeirense.

Hoje, a ARUC enfrenta com altivez uma nova crise, provocada pela derrota nos últimos três carnavais e pela não realização dos desfiles das escolas de samba por três anos consecutivos, fato inédito na história do Carnaval de Brasília, abrindo uma igualmente inédita sequência de seis anos sem ganhar um Carnaval.

Com a tradicional garra cruzeirense, a ARUC mantém viva suas atividades culturais e esportivas, com a realização mensal da tradicional Feijoada do Gavião, a promoção de shows e rodas de samba, a retomada das suas equipes de handebol e de futsal, a realização de projetos sociais.

Essas atividades foram intensificadas, a partir da regularização da área ocupada pela ARUC, com a assinatura do Termo de Cessão de Uso, entre a ARUC e a Secretaria de Esportes, em janeiro deste ano. A ARUC busca parceiros, público e privados, para revitalizar a área e aprimorar ainda mais suas atividades e os serviços que oferece para a comunidade do Cruzeiro.

Afinal, como diz um dos versos do Hino da ARUC, “eu sou um rio, transbordando de amor, eu sou ARUC, sou um vencedor”.

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