Olhar Brasilia

Wilson Dias

Samanta Sallum

É pau, é pedra e buraco no caminho

Preparem-se, brasilienses! Vamos sair de um sufoco para outro: vem aí a temporada das tesourinhas inundadas, muitos acidentes de trânsito, crateras nas vias. E a explicação para esses extremos que vivemos, da seca às inundações, é a mesma: desrespeito ao meio ambiente.

Nossas águas de novembro se anunciam. Amém! Quanta ansiedade e carência pelas chuvas. Sentimos que vamos entrar no paraíso quando elas vierem com toda a sua força para abastecer nossos reservatórios, regar nossos ipês, curar as feridas da terra com tantas queimadas. Mas, sendo realistas, vamos sair de um problema para entrar em outro. E a culpa não é da natureza, é nossa.

Espero que as chuvas nos tirem do racionamento de água. Sim, elas são muito bem-vindas! Mas todo ano o problema vem se agravando. A cidade não consegue escoar devidamente a água da chuva por causa da impermeabilização do solo com tanto asfalto e construções.

A água não consegue penetrar na terra para abastecer o lençol freático. Outro fator que agrava o problema é o lixo jogado nas bocas de lobo, que entope as galerias pluviais. É pau, é pedra e até sofá!

É projeto de casa, é o corpo na cama. É o carro enguiçado, é a lama, é a lama…”

O trânsito fica muito mais perigoso. As vias, com as primeiras chuvas, deixam o asfalto escorregadio como sabão e graves acidentes acontecem.

Mais do que capa e guarda-chuva, o brasiliense vai precisar de muita atenção também para desviar dos buracos que logo viram crateras nas vias. Essa temporada não será fácil. Uma pena que logo, logo vamos estar falando mal da chuva, coitada, depois de meses morrendo de saudades dela.

Que delícia o cheirinho de terra molhada! Mas o encanto vai terminar quando ficarmos ilhados no trânsito…

Mas dá para remediar, ou pelo menos minimizar, o problema. Planejamento, urbanização, ações públicas aliados à conscientização da população em não jogar lixo nos locais errados.

Sentimos que Brasília está naquele ponto da encruzilhada entre seguir o triste destino de outras metrópoles ou se reencontrar com o que foi traçado para ela. É “uma promessa de vida”  em nossos corações. Das Águas de Março , de Tom e Elis, para nossas águas de novembro. Que venham!

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