Olhar Brasilia
Marcia Zarur

Águas do Cerrado conduzindo histórias…

 

Qual a sua relação com a água? Para a maior parte das pessoas é uma relação de dependência. Ponto! Precisamos dela pra beber, cozinhar, lavar… Água é vida, e confirmando a máxima de que a gente só da valor quando perde, a crise hídrica começa a nos abrir os olhos para o quão preciosa ela é.

Mas pra algumas pessoas, a água é muito mais – é o fio condutor da história. Você já imaginou ver desaparecer sua rua, seu bairro, sua cidade, em poucos dias, tomados pela água? Parece ficção, mas foi exatamente o que aconteceu com a Vila Amaury em Brasília. Casinhas simples e barracos, que chegaram a abrigar mais de 16 mil pessoas, foram submersos pelo Lago Paranoá em 1959.

Imagine voltar na “beira” de onde ficava a sua casa e relembrar o passado?! Antigos moradores, como Dona Eunice e Andrade Junior (na foto acima), compartilharam lembranças conosco para o Distrito Cultural deste sábado. Dona Eunice, com uma doçura única, diz que tem gente que não acredita no que ela conta e acha que a Vila nunca existiu… E ela tem razão: relembrar é a única maneira de preservar essa memória tão importante pra cidade. E tão fortes como as lembranças, são os registros, como os livros da pesquisadora Ivany Neiva e do fotógrafo-mergulhador Beto Barata. Arrebatadora a sensação de registrar as ruinas da Vila no fundo do Lago.

Foto de Beto Barata (ruinas da Vila Amaury)

Mas se pra algumas pessoas o Lago é um poço de lembranças, pra outras é uma fonte de poesia e energia.

Grupos de passarinheiros conhecem os caminhos das águas, que garantem a vegetação exuberante e várias espécies para serem admiradas e fotografadas. Acompanhamos um grupo que, camuflado, descobre as belezas do nosso Cerrado.

E quando a gente fala da energia que emana da água, o “capitão” Junai é o guia que conhece e ama o Lago Paranoá como poucos. Num astral invejável, cheio de “vibreixon”,  e sempre com o sorriso aberto como na foto principal deste post, ele recarrega as baterias em passeios diários a bordo de um barquinho onde ora rema, ora pedala e ora aproveita a força do vento pra velejar. 

Junai me convidou para um passeio desses. Ficou com vontade de saber como foi? Você vai ver essa aventura no Distrito Cultural deste sábado. Mas já te adianto que o esforço dele pra preservar o Lago me encheu de esperanças de que podemos ter alguma fé no futuro. Que a gente tenha mais ‘Junais’ cuidando das nossas preciosas Águas do Cerrado!

A 3a temporada do Distrito Cultural está no ar na TV Globo Brasília. Os episódios inéditos são exibidos aos sábados, depois do Jornal Hoje, e trazem sempre histórias de pessoas que estão construindo a identidade brasiliense, com muito orgulho!

 

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