Olhar Brasilia

Michael Melo

Espaço convidado

Cultura em pequenos espaços

Convidado: Cláudio Ferreira, 53, é jornalista da Rádio Câmara e autor de três livros sobre televisão. Mora em Brasília desde 1971.

Muitos brasilienses se acostumaram a achar que vida cultural intensa significava apenas frequentar as cadeiras verdes da sala Villa-Lobos. Com o Teatro Nacional fechado – e com locais como o Centro de Convenções Ulysses Guimarães ainda nos devendo logística e conforto proporcional aos ingressos tão caros – é hora de redescobrir a cultura. Centenas, milhares de outros brasilienses já o fizeram: é por isso que os pequenos espaços estão chamando a atenção.

A Asa Norte tem visto surgir ou se consolidarem alguns destes refúgios. Os amantes de teatro podem escolher, por exemplo, entre o Espaço Cena (205 Norte) e a novíssima Casa dos Quatro (708 Norte). Não, os jovens atores de novela não estão nestes palcos. Não, a onda moral conservadora que andou atingindo as artes plásticas e as artes em geral felizmente não passou por estas ruas comerciais. Ali é o lugar da experimentação, da quebra de paradigmas e do desabrochar de talentos.

Gosta de música? Procure saber o que faz o Espaço Cultural Alexandre Innecco (Ecai), na 116 Norte. O maestro que empresta o nome ao conjunto de lojas se divide entre uma orquestra, dois corais e muitas aulas de música, do jazz ao clássico, passando pelo popular.

Chega de Plano Piloto? Espaços culturais pequenos são bem mais democráticos, porque são menos complicados de serem abertos, não dependem do poder público e de vontade política. Que o digam Marilia de Abreu e seu Imaginário Cultural, na QS 103 de Samambaia. Este é um dos exemplos mais bem sucedidos de uma legião de pequenos locais nas cidades do Distrito Federal que promovem cultura com suor e talento.

Não pretendo fazer um roteiro cultural: minha intenção é nos provocar, para que saibamos procurar outras cadeiras – além das revestidas de bom tecido – para sermos espectadores. A cidade pulsa em poucos metros quadrados de cada vez, basta saber achar. Aquele subsolo de onde vem uma música distante, aquele grupo de vozes ensaiando, que a princípio parece não fazer sentido, podem ser o prenúncio de uma boa experiência. Topam?

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