Olhar Brasilia
Marcia Zarur

Família é tudo

Essa tal modernidade anda evaporando conceitos e valores… Empatia e respeito vão sumindo numa rapidez impressionante e a intolerância vai ocupando o lugar e tomando dimensões gigantes. Muita gente me fala que é um fenômeno mundial, mas eu vejo essa volatilidade de princípios mais forte no Brasil. Será?

Sou uma pessoa essencialmente otimista e, por esse viés do copo meio cheio, procuro olhar para o que ainda mantemos de sólido e valioso. A resposta vem rápido: família! Essa instituição, aconteça o que acontecer, prevalece, sobrevive e é base – sempre.

No Distrito Cultural, tive a chance de conhecer pessoas admiráveis que ganham a vida com o trabalho nas ruas. O artista que negocia seus quadros nos bares,  a Drag Queen que vende deliciosos bombons na noite candanga, a trupe performática que movimenta os pontos mais inusitados da cidade e o palhaço que arranca gargalhadas no tradicional parquinho Ana Lídia.

Pessoas que vencem dificuldades que a gente não pode nem imaginar, mas que encontram na família o esteio para seguir em frente. E aí faço um parêntesis: família, nesse caso, são os laços de sangue e também as pessoas que nos adotam pelo afeto – os nossos amigos-irmãos.

O grupo Carroça de Mamulengo foi a família que acolheu, abraçou e resgatou um morador de rua do Rio de Janeiro. Com tantas possibilidades sombrias, ele encontrou no riso a redenção.

O palhaço Mandioca Frita primeiro descobriu uma família de circo pra dar sentido à vida. E depois, em Brasília, uma família de sangue pra realizar os sonhos. Quem o vê, todos os domingos, no Parque da Cidade, não enxerga todo o significado transformador do nariz vermelho e da pintura do rosto.

E nem todo mundo sabe que os companheiros de cena são os filhos do palhaço. Davi, Julia e a pequena Luana (Aipim, Macaxeira e Fole-fole) têm uma mistura de admiração e cumplicidade pelo pai, no palco e na vida. E o palhaço ainda encontra no carinho do público uma nova família, que se renova todo domingo em energia e aplausos ao fim de cada apresentação.

No malabarismo dos palhaços, a metáfora perfeita: a mãe cria o figurino, o pai imagina a coreografia, o irmão é a base, a irmã o equilíbrio e a menorzinha só pode ousar em peripécias nas alturas porque confia no grupo.

Minha família também é assim. Alinhava o caminho, ajusta os passos e garante equilíbrio e base pra que todos possam empreender, ousar, sonhar e arriscar voos mais altos…

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5 Comentários

  • Reply
    Marcos Mattos
    30 de novembro de 2017 at 14:21

    Já tive a oportunidade de ter uma conversa “em off” com o Mandioca Frita, e, de fato, atrás da pintura do palhaço existe pessoa compromissada com os delicados laços familiares. O post revela com propriedade a humanidade dele.

  • Reply
    Albertini Xavier
    30 de novembro de 2017 at 14:37

    Sem sombra de dúvida. A família é uma das instituiçoes mais antigas e que tem passado por décadas .Famílias que se mantém sólidas passando suas tradições , valores e afetos sobrevivem mais fortemente a todas estas ondas esquerdistas. Dificuldades pessoais e financeiras e emocionais serão mais facilmente superadas porque o bem comum é o mais importante!

  • Reply
    Maria Cecília Cattini
    1 de dezembro de 2017 at 00:10

    Lindo texto! E registrar o caráter multifacetado da família é mais belo ainda!

  • Reply
    Fábio Lacerda
    2 de dezembro de 2017 at 03:08

    Maravilha!

  • Reply
    Cristina Oliveira
    2 de dezembro de 2017 at 10:57

    Quanta sensibilidade em seu texto, Marcia! Eu sempre me encantei com os palhaços. Quem sabe se inconscientemente eles reforcem pra mim essa ideia da parceria e do alicerce que a familia nos traz. Beijo

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