21 de agosto de 2019
Olhar Brasilia
Lá na minha rua Mexeu com Brasília, Mexeu Comigo!

Retrospectiva Olhar Brasília

O site entrou no ar em 5 de junho deste ano e, desde então, muitas histórias e cenas da cidade passaram por aqui. Na retrospectiva Olhar Brasília, nós elegemos alguns assuntos que nos tocaram e nos chamaram atenção. Compartilhamos com vocês, nesses quase 7 meses, acontecimentos e opiniões.  Percebemos que o “Nosso Olhar Brasília” era também o olhar de milhares de brasilienses.  O ano que vem, 2108, promete mais textos, mais reflexões… Temos muito a contar ainda. Estamos no início da caminhada, numa estrada totalmente comprometida com a cidade e seus moradores. As lutas, as conquistas e as demandas foram retratadas com o olhar atento e carinhoso. Vamos dar uma olhadinha  para relembrar o que passou por aqui ?

O Verde é Nosso

Uma mobilização da sociedade para preservar o verde! Moradores das quadras da Asa Sul deram as mãos por uma reivindicação justa: “O verde é nosso!” As manifestações começaram quando os tapumes cercaram o bosque da 207 Sul. A obra, amparada pela lei e dentro do plano inicial de Lucio Costa, já não fazia mais sentido aos moradores. Eles questionavam porquê mais uma construção comercial e menos vegetação. As árvores que cresceram com muitos brasilienses daquela área, espécies nativas do Cerrado, ganharam a importância devida. Foram protestos, abaixo-assinado, e clamores respaldados pelo Olhar Brasília, que sempre apoiou uma solução que mantivesse as árvores de pé, sem prejuízo aos moradores e aos empresários. O GDF ouviu e desapropriou a área. 

Chegadas e Partidas – Bares, cafés e restaurantes

Os lugares em que os brasilienses se encontram para tomar um café, comer, beber e  encontrar os amigos se renovam a cada ano na cidade. Tivemos muitas novidades, mas também sofremos com a perda de cantinhos que fecharam suas portas. Na mesma semana, em julho, em que o Mercado Municipal , na W3 Sul,  encerrava suas atividades de forma um pouco melancólica, o Pub Cão Véio, do chef  Henrique Fogaça, atraiu uma multidão de brasilienses na inauguração. Em outubro, um dos locais mais tradicionais da cidade, o Beira Norte, comemorou 10 anos com o desafio de manter a fiel clientela e atrair uma nova geração de brasilienses. No circuito cafés, o Café Dunna , de descendentes de húngaros , inaugurado na 214 norte, atraiu muita curiosidade enquanto o café Martinica, na 303 norte, provocou comoção nas redes sociais quando anunciou seu fechamento agora, em dezembro. Neste mesmo mês, abriu o restaurante Lago , na QI 05 do Lago Sul, do chef Marcelo Petrarca,que já estava a frente do concorrido Bloco C, na Asa Sul.

A crise hídrica

Brasília viveu e sofreu o que nem nos piores momentos de estiagem poderíamos imaginar: falta d’água. Os principais reservatórios que abastecem o DF, Santa Maria e Descoberto, com volume inimaginável de 19%, 5%… O brasiliense passou a conviver com o racionamento. Torneiras secas em algumas localidades e desperdício em outras, onde há a possibilidade armazenamento. Comércio sem banheiro, sem água para o café, com copos e pratos descartáveis.  Situação precária nas casas e nas lojas, e o fantasma da crise hídrica – que pode continuar nos assombrando ano que vem. Ficam algumas lições que ainda precisamos aprender. Para os gestores, a necessidade do planejamento; e para os moradores, a urgência do uso consciente da água.

A violência que nos assustou

Em 2017 Brasília mostrou uma face violenta. Uma jornalista esfaqueada na Asa Norte, um vizinho matando pai e filho num condomínio, um estudante assassinado na ciclovia perto do Buriti, e quantos ciclistas mortos…  Raul Aragão era o defensor de uma cidade mais humana, com mobilidade consciente e a preservação da vida em primeiro lugar. Foi vitima da selvageria no trânsito, que ele tanto tentou mudar. Mas de bicicleta, à pé ou descendo do carro, a violência urbana aproximou Brasília dos grandes centros, no pior que existe, e assustou os moradores. A cidade pacata e segura ficou para trás, e a realidade vai deixando cada vez mais claro que as grades não são a reposta e a proteção que precisamos. 

A polêmica do Na Praia 

A terceira edição do evento Na Praia, na orla do Lago, fez muito barulho em todos os sentidos. Dividiu opiniões, provocou uma contundente decisão judicial contra o som alto, consolidou público, foi o point entre julho e agosto. O look variava entre o praiano e o sertanejo por causa do frio de julho. O cenário artificial, com areia, acabou destoando da galera de “botas na praia”, mas não atrapalhou a diversão do público que lotou os dias de programação. Porém, os moradores da Vila Planalto, Lago Sul e Lago Norte sofreram com o som alto dos shows. E reclamaram muito. O caso foi parar na Justiça, e o juiz Carlos Frederico Maroja, em agosto, assinou uma sentença que é um manifesto pela preservação da nossa cidade. Vamos aguardar qual será a onda do Na Praia em 2018.

A organização da cidade e as leis urbanísticas 

Este ano chegou à Câmara Legislativa a Lei de Uso e Ocupação do Solo. A polemica LUOS vai definir quais serão as áreas exclusivamente residenciais, onde pode haver comércio, a altura dos prédios, a área máxima que poderá ser construída, etc. Um projeto que vai mexer com a vida de 90 % da população do DF e deve ser votado no ano que vem. Em 2018 também deve ser discutido o Plano de Preservação do Conjunto Urbanístico de Brasília, que define as normas para o Plano Piloto, Cruzeiro, Candangolândia e Sudoeste. Mais do que nunca a população precisa fiscalizar de perto o que vai ser decidido pelos deputados distritais, para que a especulação imobiliária não engula a nossa qualidade de vida. E o Olhar Brasília vai acompanhar cada movimento, com lupa.

Retrospectiva Olhar Brasília – mudanças em curso e as que precisam vir

Acompanhamos a briga para retirar as grades da Praça dos Três Poderes, que agora foi parar na justiça. Cobramos soluções para o principal espaço cultural da cidade, que continua fechado há quase 4 anos. O Teatro Nacional interditado deixa a nossa Orquestra com uma casa improvisada no Cine Brasília, e priva a população de um espaço que merece ser usado e ocupado pela arte. O Olhar Brasília convocou os brasilienses a relembrarem os antigos cinemas, o comercio do passado nos áureos tempos da W3. Conversamos sobre revitalização da avenida abandonada e do CONIC, que apareceu sob vários olhares no nosso Espaço Convidado. Mostramos também  as iniciativas que estão dando uma nova cara os Setor Comercial Sul. E entre as mudanças que precisam vir, destaque para as questões da mobilidade e de um pensamento que não privilegie mais apenas o carro!

Cultura em Destaque

O Olhar Brasília abre espaço e divulga a cultura candanga. As mais variadas manifestações culturais estiveram na nossa Dica do Dia e na Vitrine Cultural. Brigamos pela exposição de Luis Humberto, patrimônio da cidade, e tivemos a boa notícia de que o Museu da República vai receber a nova mostra do fotógrafo no início do ano que vem. Mostramos novos espaços culturais, talentos consagrados e revelações da música, teatro, fotografia, cinema, dança e literatura. O site foi apoiador, com muito orgulho, o projeto UniDuniLer Todas as Letras, que levou o prazer dos livros para todos os tipos de publico nos quatro cantos do DF. Em 2018 a cultura continua tendo espaço reservado e privilegiado no site. Nós fazemos um convite: vamos ocupar a cidade e aproveitá-la com o que há de melhor.

A Campanha Mexeu com Brasília, Mexeu Comigo 

Amamos Brasília, profundamente! Não aguentamos mais ver a imagem da capital sempre associada à corrupção. Somos muito mais que a Esplanada e precisamos responder a quem nos julga sem nos conhecer! O site Olhar Brasília ressalta esse orgulho de pertencermos a um Patrimônio da Humanidade. Uma cidade única, bela, multicultural, que tem em sua essência o conceito de liberdade. Vamos gritar aos quatro cantos do país: ninguém pode nos insultar – Mexeu com Brasília, Mexeu Comigo!!!

Lançamos a campanha que defende em primeiro lugar todos os que moram aqui e sofrem com o  preconceito por isso. O brasiliense abraçou e literalmente vestiu a camisa. Mas não esquecemos que quem ama, cuida. E o cuidado é não fechar os olhos para os problemas. Ao contrário, o nosso movimento é também um convite à reflexão e ao debate. Fizemos a primeira ação no Beirute Sul, este ano, e faremos outras, em outros pontos que são a cara da cidade, no ano que vem.

Realizamos também a primeira edição da roda de conversa Olhar Brasília, na banquinha da Conceição, na 308 sul. A comunidade compareceu e tivemos a chance de trocar ideias e apontar os problemas que merecem nossa mobilização. É o primeiro passo para cobrar soluções das autoridades públicas.

Queremos o encontro, cara a cara, olhos nos olhos. Queremos repensar a cidade também fora do mundo virtual. Aguardem porque em 2018 tem mais.

Vamos valorizar o que temos de bom e pensar soluções para melhorar o que não vai bem. Participe! Venha engrossar o coro: Mexeu com Brasília, Mexeu Comigo! 

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2 Comentários

  • Reply
    pedro
    2018-01-06 at 10:00

    Parabéns e obrigado.

    • Reply
      Marcia Zarur
      2018-01-18 at 21:29

      Nós é que agradecemos! Feliz 2018!!

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