17 de setembro de 2019
Olhar Brasilia

Gabriel Canellas

Marcia Zarur

Qual é o seu pote de ouro no fim do arco-íris?

Quando eu era pequena, ouvia essa história de que no fim do arco-íris existia um pote de ouro. Isso faz a cabeça de qualquer criança viajar… Basta um raio de sol bater numa gotinha de água pra luz branca se decompor em sete cores, pintar o céu e atiçar a imaginação.

Esta semana, fomos brindados na nossa quadra com um arco-íris desses de tirar o fôlego. Fim de ano chegando, aquela época de balanço, planos para o futuro e pedidos para o ano novo. Afinal, qual pote de ouro a gente espera encontrar em 2018? Um ano de Copa do Mundo e de eleições – só pra começar.

No país do futebol, apesar da vitória nas últimas olimpíadas, acho que esse esporte anda meio em baixa depois do 7 X 1. Eu, pelo menos, não tenho mais a mesma empolgação com a camisa amarela. Perder faz parte, mas ser humilhado não estava no script. Tanto tempo depois, ainda não consegui digerir a derrota acachapante dentro de casa.

Nas eleições, a situação não é muito diferente. É como se o Brasil perdesse o tempo inteiro de 7 X 1 pra corrupção. A classe política nunca foi tão desacreditada e nunca chafurdou tanto na lama e no nosso dinheiro. É claro que há exceções, mas está cada vez mais difícil encontrar políticos honestos e comprometidos com a população, e não com o próprio bolso.

País do futuro

Eu sempre acreditei que a participação é a maneira mais eficiente de transformar. Por isso, fiquei tão emocionada com o meu primeiro título de eleitor e tão assustada quando o meu filho de 16 anos disse que só vai votar quando for obrigado.

Já tinha um discurso pronto quando ele me disse: não há candidatos ou partidos que me convençam ou me representem. Tirar título antes dos 18 anos pra votar no menos pior? Qual o propósito disso?

Fiquei sem resposta! Realmente, o Brasil dos meus 16 anos não é mais, nem de longe, o país dos 16 anos do meu filho. Eu acompanhei a ditadura e as primeiras eleições diretas depois do regime militar. E, mesmo nos piores momentos, me parecia que sempre existia alguma alternativa.

O Brasil era o país do futuro, mas a nossa agonia é que o tempo passa e esse futuro não chega nunca… Vivemos abismos sociais vergonhosos, a intolerância cresce e o diálogo sobre qualquer assunto mal começa e já vira discussão e briga.

Então, o meu pote de ouro para este fim de ano é esperança – uma única palavra, simples, mas que abarca todo o sentimento de que precisamos. E você, já parou pra pensar qual é o seu? 

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