22 de julho de 2019
Olhar Brasilia
Saúde

Qualidade de vida, sem prazo de validade

Por Cristina Calegaro

Todo mundo quer viver muito e isso significa envelhecer. Assim, numa determinada fase da vida, vamos precisar de cuidados.

Quando uma mãe ou pai se recusa a cuidar de um bebê ou o abandona, a sociedade se revolta com o ato de atrocidade contra um incapaz. E quando o inverso acontece? Um idoso dependente também é vulnerável. Alguns têm limitações para se alimentar, se vestir e até para se defender.

Penso que cuidar dos pais idosos seja uma tarefa tão natural aos filhos quanto cuidar das crianças pequenas. Entendo que “amar é uma faculdade, mas cuidar é um dever”. A dor do desprezo a um idoso é tão cruel como a dor do abandono sentida por uma criança. Quanto mais saudável for a relação entre pais e filhos ao longo da vida, quanto mais intimidade, cumplicidade, respeito e afeto houver, mais facilmente essa transição se dará e o relacionamento será natural e saudável.

Quanto mais cada um puder doar, procurando cultivar a paciência, o bom humor e a atenção às necessidades emocionais de nossos velhos, esse momento da vida não precisará parecer um fardo para quem cuida, nem um constrangimento para quem é cuidado.

O processo de envelhecimento envolve alterações em todo o organismo humano, com declínio em quase todas as funções. A prática regular de exercícios físicos é uma estratégia eficaz para retardar essas perdas. Além disso a atividade física melhora a mobilidade, a capacidade funcional e a qualidade de vida durante o envelhecimento.

É importante enfatizar, no entanto, que tão importante quanto estimular a prática regular do exercício, as mudanças para a adoção de um estilo de vida ativo no dia-a-dia do indivíduo são parte fundamental de um envelhecer com saúde e qualidade. Porém, mesmo com toda a informação que temos hoje, há dificuldades em se iniciar um programa de atividades físicas.

As desculpas são variadas como falta de tempo, o desencorajamento da família e dos amigos, e não dispor de equipamentos e acessórios necessários. Há ainda velhos que se frustraram em experiências anteriores ou que se sentiram excluídos no ambiente da prática do exercício físico

E, por incrível que pareça, o idoso se queixa de falta de tempo!!!

O Exercício do convencimento

O papel da família neste momento da vida é importantíssimo, pois são os filhos, parentes próximos ou amigos, que têm a capacidade de convencer o idoso a começar uma atividade física. A mudança no estilo de vida é possível e muito bem vinda, mesmo em uma idade avançada, pois o apoio carinhoso tem um incrível efeito estimulante. Se todos ao seu redor falarem a mesma língua, o idoso vai conseguir superar a inércia e até teimosia.

Convencer seus pais, tios, avós, enfim uma pessoa que você ama, a mudar o estilo de vida e adotar práticas mais saudáveis é um grande passo para ajudá-la a sempre manter a independência e ter menos problemas de saúde.

São atitudes simples que têm um imenso impacto na qualidade de vida de quem a gente ama. Nós, filhos, precisamos estimulá-los a trocar o sofá e o controle remoto por uma caminhada, a estabelecer a ginástica como rotina e a ter a possibilidade de conhecer pessoas diferentes e fazer novos amigos. Precisamos vencer a nossa própria inércia, ir a campo, e usar todo o nosso carinho para convencê-los a ter uma vida saudável.

Cristina Calegaro é profissional de Educação Física, ex-presidente do  Conselho Regional de Educação Física da 7ª Região – CREF7/DF. Especializada em reabilitação cardiopulmonar, é fundadora da Academia VITAL RECOR, voltada para o aprimoramento da qualidade de vida e condicionamento físico de pessoas acima de 40 anos. Informações: (61)  3242-2157

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