9 de janeiro de 2018
Olhar Brasilia
Samanta Sallum

O que está acontecendo com a nossa água?!

Não tem nada pior do que beber água com medo de passar mal. Eu me lembro daquela frase da minha avó: “Onde é que nós vamos parar?!”. Mas o fato é: onde nós já estamos? O racionamento de água e a desconfiança sobre a qualidade da que consumimos no DF são sinais escancarados da situação calamitosa em que vivemos. Causam revolta e até certo pavor. Não podemos confiar mais nem na água que sai do filtro da nossa casa. 

Estamos sendo obrigados a comprar e ou consumir água mineral. Em todos os lugares a que vou, da academia de ginástica às salas de espera de médicos, especialmente na região da Asa Norte, a água do filtro foi substituída por mineral.

Sabe o que é pior ainda? É ser aconselhada a dar preferência por água mineral com gás. Pois a normal é a mais falsificada. Meu Deus? Em que mundo estamos, em que mundo vivemos? 

Em dezembro, houve notícia de um surto de infecção intestinal no Plano. Alguns médicos que atenderam essas pessoas chegaram a cogitar que o problema seria a água. O médico endocrinologista Flávio Cadegiani postou nas redes sociais sobre os casos entre seus pacientes. A Vigilância Epidemiológica da Secretaria de Saúde chegou a entrar em contato com a clínica dele e foi enviado um questionário aos pacientes.

A desconfiança surgiu por causa da captação de água do LAgo Paranoá nos últimos meses para abastecer parte do Plano Piloto . 

A Caesb, a Adasa e a Secretaria de Saúde negam, por meio de suas assessorias de imprensa, veementemente qualquer relação desses casos com a água. E garantem a qualidade da que consumimos. Eu tive sintomas. E a primeira coisa que pensei: foi a água! Só tomo mineral agora.  Pode ser que não tenha nada a ver com a água, mas essa desconfiança martiriza a gente. 

Por que estamos  desconfiados da nossa água? Que autoridade pública vai dar o carão e afirmar com todas as letras que nossa água está limpa e acabar de vez com essa suspeita? Tem que levar essas autoridades a beberem publicamente a mesma água que é consumida pela população. 

PS – O meu tema hoje seria água, mas com outro ponto de vista. O fato de os bares e restaurantes serem obrigados por lei a oferecer água da casa, ou seja, água do filtro, para não obrigar o cliente a comprar mineral. Isso é comum em grandes cidades do mundo. Não existe desconfiança da água servida nem é feio ou deselegante pedir por ela.

Muitas casas já servem em charmosas jarrinhas, aromatizadas e com gelo. Mas acabei não me sentindo confortável para divulgar isso, pois, diante da suspeita que paira sobre a nossa água, como posso dizer: “Gente, peça água da casa!” ?  

Confira a posição oficial dos órgãos públicos sobre o assunto: 

Caesb

“Essa informação não procede. Não existem casos de pessoas que tenham passado mal após ter consumido água distribuída pela Caesb. Isso é falso. Não há qualquer correlação com a água fornecida pela Caesb. Há avaliações de hora em hora em todas as suas unidades de tratamento, além de fazer análise da qualidade da água nas redes distribuição, acima do que é exigido pelo Ministério da Saúde. Foi associada agua do Paranoá a áreas que não são abastecidas por aquela captação. ´´

Adasa

“A Superintendência de Abastecimento de Água e Esgoto faz fiscalizações periódicas, e que o monitoramento não detectou nada fora do comum na qualidade da água fornecida pela Caesb, oriunda da Estação de Tratamento de Água (ETA) do Lago Paranoá.”

Secretaria de Saúde

“Não há registro na Secretaria de Saúde do Distrito Federal de surto de doenças intestinais provenientes do consumo de água. Ressalte-se que qualquer profissional de saúde, ciente de qualquer problema nesse sentido, deve primeiro notificar as autoridades de vigilância.

Para comunicar casos de doenças de interesse de saúde pública como este, os profissionais de saúde podem contatar o Centro de Informações Estratégicas de Vigilância em Saúde (CIEVS/SVS/SES-DF), através do telefone 99288-9358 ou pelo e-mail cievsdf@gmail.com.”

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