12 de Janeiro de 2018
Olhar Brasilia

Andre Borges

Capa Lá na minha rua

Só tem medo quem não conhece. I love Cei

Por Samanta Sallum

A violência está em todos os lugares, infelizmente. Não estamos a salvo, porque estamos no Plano Piloto nem condenados a ser assaltados ou mortos em Ceilândia. 

O governo americano classificou cidades do Distrito Federal como perigosas, território de violência onde os cidadãos americanos não devem ir. Santa Maria, São Sebastião, Paranoá e Ceilândia foram classificadas como favelas, “zonas do crime”.

Difícil hoje delimitar o mapa do crime.nDias atrás, mais uma mulher foi baleada no Plano Piloto. Foi atacada ao estacionar o carro na 408 Sul, durante à noite. Nem nas áreas mais nobres do país estamos a salvo. Eu sou carioca e sei bem o que é violência urbana. Cresci na Zona Sul carioca, trabalhei na Zona Norte. Não se pode dar “mole” em lugar algum. Fui assaltada no Leblon.

Mexeu com Ceilândia, Mexeu comigo! Ceilândia não é terra de bandido. Como Brasília não é terra de corrupto!

Sim, há violência, perigo, tráfico e consumo de drogas em Ceilândia. Mas a cidade não se resume a isso. Ela é bem maior. Eu, moradora do Plano, não tenho medo de ir a Ceilândia. Fui várias vezes como repórter, para fazer as mais variadas pautas, das belas histórias às de violência também. 

Na semana passada, eu e Marcia Zarur fomos a Ceilândia visitar alguns conhecidos, sem problema algum. Sozinhas, normalmente, como andamos em qualquer cidade. Cuidados e precauções são necessários em qualquer canto. 

Ceilândia tem 600 mil habitantes, 10% do PIB do Distrito Federal, uma massa da trabalhadores que fazem o DF crescer, além de ser o maior colégio eleitoral. Ceilândia tem cultura, arte, alegria. A gente deveria conhecer melhor. Conheço muitas pessoas que moram lá ou que têm parentes morando lá. Gente digna e honesta. Somos Brasília, somos DF, somos 31 cidades. Nossas dores e delícias estão esparramadas por todas elas. 

Nova York e outras grandes capitais mundiais são alvo de terrorismo. Aqui, temos nossas mazelas sociais, sim. Precisamos, sim, melhorar as políticas públicas de segurança e assistência social. Não podemos jogar para baixo do tapete nossos problemas. Mas não aceitamos estigmas, é injusto com a população dessas regiões.

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