21 de agosto de 2019
Olhar Brasilia
Samanta Sallum

Na escassez e na fartura

Eu vi essa plaquinha pregada numa casa simples e aconchegante numa cidade pequena fora do DF. Lá se recebem visitantes. Eu li nessa frase consciência de preservação e uso racional da água. A questão ali pouco tinha a ver com a preocupação se a conta ficaria mais cara. 

Simples assim. A frase já definia a rotina dos que moravam ali e pedia a mesma consciência aos visitantes. Detalhe importante: a região dessa casa não está passando por racionamento de água! 

Então, vemos que não é só na escassez que podemos aprender certas coisas. Mas, especialmente, na fartura. Infelizmente, não se cuida nem se dá valor ao que se parece ter de sobra. 

Brasília era farta em terras e águas. Nasceu em meio à imensidão do Cerrado, no Planalto Central. Terras que, com o tempo, foram sendo griladas.

A cidade planejada foi dando espaço ao crescimento desordenado. O que resultou no imbróglio fundiário que temos hoje na capital.

Tantas áreas residenciais irregulares. Um problema que, ao mesmo tempo que se tenta resolver, também foi crescendo durante décadas. 

E quem imaginaria que a capital construída com um grande lago artificial viveria tempos de racionamento de água? 

Mais irônico ainda é o fato de essa mesma capital sediar, em março, o Fórum Mundial das Águas. Quando o evento internacional foi captado para ser realizado em Brasília, há cerca de 4 anos, não se previa o que aconteceria …

Era para Brasília ser exemplo de gestão hídrica. Agora, somos um fato concreto do contrário. Não, não se pode apenas culpar a escassez de chuvas pelo problema. A situação que levou a capital ao racionamento é muito mais complexa. 

Então, vamos sediar o Fórum Mundial das Águas, um debate internacional que mobiliza governos e estudiosos do mundo todo para a preservação dos recursos hídricos, para nos conscientizar de algo que já deveria estar em nós. 

Ter um chuveiro em casa que despeja aquele jato todo de água na gente deveria ser encarado como um luxo, uma bênção que temos.

Poder se banhar ao chuveiro por vários minutos, diversas vezes ao dia, é um luxo que as futuras gerações podem não ter…

Temos de tratar a água como um bem precioso, economizar, racionalizar o uso, e não apenas porque a conta da Caesb vai ficar bem mais cara se abusarmos no consumo. Mas por uma questão de sobrevivência nossa, da qualidade de vida das futuras gerações no planeta. 

 

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Um comentário

  • Reply
    Marcela Mihessen
    2018-02-01 at 10:09

    Ai Samanta, eu sofro quando vejo o povo lavando as mãos lá no hospital que trabalho, e deixam a torneira aberta enquanto esfregam! Virei a chata da água com muito orgulho!! ahahahahah

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