21 de agosto de 2019
Olhar Brasilia

Fotos: Daniel Mangabeira

Espaço convidado

DNPM – Um bem arquitetônico que merece o nosso olhar

Convidado: Daniel Mangabeira é brasiliense nascido em Itabuna, arquiteto formado pela UnB em 1999, sócio do BLOCO Arquitetos e um dos criadores do @brasiliamoderna

Manutenção predial é o assunto do momento. Os últimos desabamentos despertaram a atenção dos brasilienses para o estado de conservação da cidade e dos prédios onde trabalham e residem. Tomara que esse olhar atento desperte o interesse e contagie também os usuários do Departamento Nacional de Produção Mineral – DNPM projetado pelo Arquiteto José Francisco Mendes del Peloso. Construído em 1972, o edifício ainda mantém sua dignidade arquitetônica, apesar do mau estado de conservação do espelho d’água que circunda a edificação, com clarabóias quebradas e pequenas rachaduras não estruturais. Este artigo, porém, não enfatizará os pontos negativos e sim os positivos que envolvem este belo projeto.

Nascido em Cataguases no estado de Minas Gerais, Francisco del Peloso formou-se em arquitetura em 1956 na antiga Faculdade Nacional de Arquitetura da Universidade do Brasil, atual Faculdade de Arquitetura da UFRJ. Trabalhou durante 2 anos no serviço público no Rio e em 1958 foi convidado a atuar como Arquiteto na construção da Nova Capital. Aqui projetou a sede do Juizado de Menores do Distrito Federal na 909 Norte, mas ficou conhecido mesmo pelos projetos arquitetônico e urbanístico desenvolvidos para a SQS 207, uma quadra com desenho urbano único, com sistema viário circundante à quadra e com os inconfundíveis blocos em formato “H” implantados na diagonal.

O DNPM, também com planta baixa em formato “H” provavelmente seja seu principal trabalho, mas pouco se sabe sobre o projeto. Na verdade, pouco se sabe sobre o autor! Foi casado com Lina Tâmega Peixoto, poetisa admirada por Carlos Drummond de Andrade, e a despeito de ter diversos projetos espalhados por Minas Gerais, Rondônia, Espirito Santo e Brasília, pouca ou nenhum informação é encontrada sobre sua vida e suas obras.

O edifício do DNPM fica no Setor de Autarquias Norte, próximo ao Teatro Nacional, tem suas fachadas Norte e Sul fechadas por paredes cegas em concreto aparente com textura de pequenas listras e as fachadas Leste e Oeste cobertas por esquadrias de alumínio que criam uma bela composição geométrica de cheios e vazios. As escadas de emergência centrais são escondidas por um brise composto por finíssimas lâminas de concreto, mas o que realmente chama a atenção na edificação é o enorme e mal mantido espelho d’água com suas clarabóias exclusivas de iluminação natural para o subsolo.

Uma rampa de acesso foi criada recentemente com revestimentos que destoam do projeto original onde materiais brutos e foscos foram substituídos por granitos e metais brilhantes, deixando claro que a intervenção não tinha como premissa a discrição ou integração com o projeto de origem.

Apesar da conexão da edificação com a rua ser um ponto fraco da construção, é importante destacar os jardins suspensos do enorme espelho d’água, a composição artística criada pelas esquadrias e o delicado trabalho de fôrma do concreto aparente nas fachadas. Detalhes criados pelo Arquiteto José Francisco Mendes del Peloso que dão incontestável valor a esta obra e que precisam de manutenção periódica para a preservação da história brasiliense e da memória arquitetônica nacional.

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