1 de março de 2018
Olhar Brasilia
Marcia Zarur

Uma horta no jardim da quadra incomoda? Por quê?

Esta semana fui surpreendida com uma série de mensagens de amigos indignados com o síndico do Bloco H, que resolveu acabar com uma horta comunitária na 216 Norte. E é de se espantar mesmo! Uma horta é uma iniciativa tão do bem…

Os moradores da região têm o maior orgulho dos “jardins medicinais e comestíveis” criados por ali. Não é de hoje que acompanho o carinho da comunidade com as plantas e os múltiplos significados que esses espaços têm na vida das pessoas.

Na última temporada do Distrito Cultural, mostramos a horta comunitária da 416 Norte, a quadra vizinha. Os moradores plantam, cuidam, se encontram, se alimentam… O cantinho vira um ponto de convívio, saudável e democrático. É de todos e para todos!

Essa é a verdadeira vocação dos nossos espaços públicos. Maria Elisa Costa, em entrevista ao Olhar Brasília, destacou: “Ninguém pode se achar proprietário dos pilotis dos prédios de Brasília! Os moradores dos apartamentos são ‘proprietários’ a partir do primeiro andar!”

É um dos conceitos mais lindos da cidade. A liberdade de escolher qualquer caminho, de poder ficar em qualquer lugar. Ninguém é dono do chão, ou melhor, todos são donos – em igualdade. E nenhum síndico pode ter poder maior do que a coletividade.

Já briguei muito no meu prédio uma época em que não queriam deixar as crianças brincarem embaixo do bloco. Ninguém pode proibir a brincadeira livre nos pilotis. E fico sem entender por que alguém destruiria um jardim tão lindo feito pela comunidade…

As hortas promovem o encontro. Mostram como é bom você conhecer o seu vizinho e poder contar com ele. Aproveitar essa característica única de Brasília é uma delícia. No jardim do meu prédio, por exemplo, a gente pode se fartar com amoras, mangas, romãs e pitangas, colhidas no pé. E não faltam manjericão, alecrim e erva-cidreira.

Já imaginou uma cidade grande que te oferece essa maravilha?! Essa cidade é Brasília. Que sorte a nossa!!!!

P.S.: conversei ontem com o síndico Jader Luciano Almeida. Ele sustentou que a decisão de retirar a horta foi tomada pela maioria dos presentes, em assembleia do condomínio. Ele afirmou que no momento da votação tinha 16 procurações, mas não soube precisar quantos votos foram computados ao todo para garantir a retirada das plantas. Ele classificou a horta atual como “uma bagunça e um depósito de lixo”. Estive lá hoje de manhã e encontrei um cantinho muito bem cuidado:

  

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18 Comentários

  • Reply
    Alda Duarte
    1 de março de 2018 at 11:40

    O sindico parece não lembrar quantas pessoas decidiram destruir a horta, pelo “habitus” de tomar decisões unilaterais como as de se auto-eleger e de levar pessoas estranhas para a reunião. Sintomático!
    Incrível ver a recorrência e distorção dos discursos que não se sustentam num ambiente democrático! Acho que nem isso, o sindico compreendeu: a era da internet é a era da democracia. Todos os vizinhos presentes contestaram a “decretação” da retirada da horta. Além do ato imoral de se auto-eleger, valendo-se de procurações de proprietários, que não representam os interesses comuns, o administrador do condomínio do bloco H esqueceu completamente que o interesse dos moradores prevalece na convenção do condomínio, e que por mais anônimos que estes sejam, também conhecem seus direitos e a imprensa. O senhor administrador do condomínio parece incapaz de dialogar aberta e honestamente. – O que intriga a todos os vizinhos de dentro e de fora da quadra como eu, que sou ativista por direito á cidade, é o que mantem um servidor público do escalão do senhor Jader, que sequer é morador da quadra num cargo de sindico de um edifício de apartamentos de 1 quarto, onde não é proprietário, onde até abdica do pro-labore. Muito curioso esse hobby,não? Não posso chamar de filantropia, porque não há respeito aos interesses comuns.
    Esse conflito, que acho que o Sr. Jader não comprendeu, agora é público!!!

    • Reply
      Marcia Zarur
      9 de março de 2018 at 19:37

      Uma pena esta situação! Só torço pra que a horta continue verdinha no local, Alda. O verde é garantia de qualidade de vida!

  • Reply
    jo
    1 de março de 2018 at 14:40

    Sim, era um deposito de lixo, antes de os moradores fazerem a horta. Os moradores, sem auxilio da adminstracao do bloco, limparam a area e preparam-na para plantar. Hoje é uma lindeza, um espaço aconchegante de convivência comunitaria e de colheira de ervas aromáticas e nutraceuticas.

    • Reply
      Marcia Zarur
      9 de março de 2018 at 19:35

      Eu pude atestar isso, Jo. Não há lixo no local, apenas uma horta muito bem cuidada.

  • Reply
    Isabel Christina Souza Aguiar
    2 de março de 2018 at 00:43

    Gente, é lamentável a decisão da maioria presente à reunião. E é lamentável também que a maioria real viva para se omitir. Não é uma crítica, é mais uma constatação. Condomínios são como países em que tudo é decidido por meio de deliberação dos envolvidos. Se o que o síndico declara é verdade, a decisão tomada pode receber todos os adjetivos, menos o de ser ilegítima. Aproveitemos esse acontecimento para refletirmos e assumirmos uma nova postura, a de participarmos daquilo que nos diz respeito. Um abraço.

    • Reply
      Marcia Zarur
      9 de março de 2018 at 19:35

      Você tem toda razão nesse “puxão de orelha”, Isabel. Não entro nesse mérito específico da horta desta quadra, até porque não moro lá, mas de fato a participação das pessoas, no geral, ainda é muito pequena. E é como vc bem disse, os condomínios precisam da participação dos moradores o tempo todo.

  • Reply
    Denise
    2 de março de 2018 at 09:08

    Espero q a horta ganhe está parada ! Parabéns pelas iniciativas de plantar e de defesa.

    • Reply
      Marcia Zarur
      9 de março de 2018 at 19:32

      Também torço pelo verde, Denise!

  • Reply
    ADRIANA MORBECK ESTEVES
    2 de março de 2018 at 13:24

    Sugiro marcarmos um dia para dar um abraço coletivo nesta linda atividade comunitária! Assim aproveitamos para matar as saudades e falarmos de nossos planos para 2018!

    • Reply
      Marcia Zarur
      9 de março de 2018 at 19:32

      Uma atividade comunitária realmente de muito valor, Adriana!

  • Reply
    Sérgio Ferreira da Costa
    2 de março de 2018 at 19:17

    – Infelizmente, para certos “indivíduos”, o verde e a matéria orgânica que ele produz no dia a dia, é, simplesmente “lixo”… Esquecem ou não sabem, que o verde produz duas coisas fundamentais para o ser humano: oxigênio e água, através da evapotranspiração. Isso sem falar na sombra, onde todos gostam de colocar seus carrões; redução da temperatura ambiente, criando micro climas mais agradáveis; diminuem a erosão do solo, protegendo-o das chuvas; fornecem alimentos e medicamentos, etc,etc… São aqueles que acham que folhas são sujeira, que não podem ter árvores no quintal pra não terem o trabalho de varre-lo, e assim sendo, preferem cimentá-lo.

    • Reply
      Marcia Zarur
      9 de março de 2018 at 19:31

      Tem toda razão, Sérgio. O verde é fundamental, em vários aspectos, para manter a nossa qualidade de vida!

  • Reply
    Fa
    3 de março de 2018 at 07:45

    Se a maioria decidiu então é pq por algum motivo estava incomodando. Simples assim. E ai não tem nada de bem cuidado.

    • Reply
      Marcia Zarur
      9 de março de 2018 at 19:30

      Estive na horta no dia em que escrevi o texto e estava extremamente bem cuidada na ocasião.

  • Reply
    Kátia de Castro Talarico Nogueira
    8 de março de 2018 at 16:22

    Isso não faz sentido… que
    Coisa ein! Eu aqui sofrendo para conseguir fazer e manter no meu apartamento uma
    Horta vertical e gente implicando com quem faz e cuida dos espaços públicos de forma útil, Deliberadamente. Cada uma pelamordedeus

    • Reply
      Marcia Zarur
      9 de março de 2018 at 19:23

      Não tem explicação mesmo pra um desmando desses. E você precisa ver como horta da 216 está bonita e bem cuidada…

  • Reply
    Leonel Graça Generoso Pereira
    14 de março de 2018 at 09:17

    Iniciativas como essa , de alto interesse para a melhoria da qualidade de vida das pessoas, não podem ficar marginais. Existe uma lei de agricultura urbana que está para ser regulamentada, permitindo que essas atividades possam ser devidamente apoiadas e não sejam prejudicadas por um tipo cada vez mais frequente de cidadãos no plano: aquele que não gosta de gente, de criança, de nada que incomode sua cômoda vidinha. É do ele e sua televisão.

  • Reply
    E não é que destruíram, mesmo, a horta comunitária da Asa Norte?! - Xapuri
    28 de abril de 2018 at 09:25

    […] comunitária do bloco H da 216 Norte foi destruída. Mês passado o Olhar Brasília mostrou a queda de braço entre moradores e o síndico do prédio, que queria, a todo custo, acabar com o jardim […]

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