6 de março de 2018
Olhar Brasilia
Samanta Sallum

Ainda temos tempo!

É nova, é velha? Moderna ou ultrapassada? Brasília, quem é você? Uma cidade que fará 58 anos é um bebê. Brasília tem traços de modernidade na arquitetura, mas ficou ultrapassada e velha na gestão pública.

 Brasília foi abandonada à sua modernidade. Parece até uma pequena maldição. Ficou à própria sorte de suas belezas, da excelência e genialidade da sua criação… 

É moderna, mas precisa de cuidados para não ficar caquética. Tão jovem dá sinais de colapso. Cresceu muito rápido e já nasceu com o peso de grande responsabilidade. Ser capital.

E não podia ser diferente: a capital deve amparar e receber todos os brasileiros. Como não crescer? Isolá-la como um pequeno quadrado administrativo? Não, não mereceria isso.

O transporte público, o sistema de coleta de lixo, o estado de nossas calçadas, o racionamento de água, enfim, tantas situações que em nada combinam com uma capital que nasceu com vocação futurista.

Brasília vai descarrilhar como o trem do Metrô, vai rachar como o viaduto que desabou, ruirá como as lajes das garagens? 

Aos 58 anos, Brasília se vê num momento, no mínimo, estranho. Uma crise de identidade. É patrimônio cultural da humanidade, mas parece estar perdendo as referências que faziam dela tão especial. A genialidade, beleza e vanguarda do projeto e do concreto deveriam ser acompanhadas também pela forma de se viver aqui.  

Oscar Niemeyer dizia que “mais importante que a arquitetura era o homem nela”. Buscar cada vez mais o lado humano das cidades. Mas parece que estamos perdendo isso na capital.

Brasília está ferida no concreto, rachada nos contrastes econômicos, entre os mais ricos e os mais pobres. Sucessivas gestões públicas não avançaram nem recuperaram o prejuízo. Estamos perdendo o trem de história?

No ritmo da areia de uma ampulheta que escorre rapidamente, Brasília vai se aproximando do seu momento decisivo. Vai resistir ou vai se entregar de vez?

Sim, há como preservar o que temos de bom. Essa é nossa vantagem em relação a outras metrópoles. Ainda temos tempo!

Ainda temos tempo de programar nosso futuro, de fazer a cidade retomar sua vocação de vanguarda não só na arquitetura, mas no desenvolvimento humano. Afinal, ainda somos tão jovens!! 

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