9 de março de 2018
Olhar Brasilia
Circuito SZ

Meu lado B com Benetti

Por Samanta Sallum

Que tal diversão com t de teatro? Que tal embaralhar as letrinhas e lados da nossa vida de uma forma lúdica e surpreendente? Eu experimentei  isso a alguns anos atrás, botei para tocar o meu lado B. Aquele ladinho nosso que não é o que as pessoas percebem de imediato, não é o que a gente apresenta no trabalho e no “mundo oficial”.

O lado A das pessoas é o que considero o mais batido, padronizado e conhecido, porém nem sempre o melhor e mais interessante. Como nos antigos discos, as bolachas dos LPs, tinham preciosidades ali escondidas no lado B, a gente tem isso também. E o meu lado B fez sucesso com o teatro adulto amador. 

Às vezes, nos surpreendemos com tantas vidas e pessoas que habitam nosso eu. E que precisam de uma chance, de algumas horas para viverem plenamente, se libertarem. O teatro nos proporciona isso. Fazer aulas de teatro não é somente para quem deseja mesmo seguir uma profissão de ator. Pode até rolar. Mas é uma ótima terapia ocupacional, psicológica, social e de pura diversão. 

Mas aula é aula e é dada com muita técnica e seriedade, no entanto, em clima de descontração. Não faltam risadas, mas também até pode  acontecer um choro de emoção. Entramos em contato com o desconhecido algumas vezes. Para uns, o curso de teatro pode ser uma leve distração, para outros um trabalho de imersão psicológica e há quem descubra talentos artísticos e decida investir mais neles.  

As aulas são desafiadoras e divertidas. Ajudam a driblar a timidez,  aguçam a criatividade e a autopercepção corporal. Conhecer pessoas novas das mais variadas idades e profissões é uma das melhores partes do  curso. Fazer novos amigos e estar em contato com pessoas que vão te conhecer logo de cara pelo lado B. Tudo é mais espontâneo e verdadeiro. 

Essa travessura toda eu fiz com um professor que virou amigo. O Benetti, da companhia de comédia  G7, que lota o teatro do Maristão há alguns anos com suas peças. Mas eu os conheci, há 10 anos, durante uma apresentação sob a direção de Hugo Rodas. No final do ano passado, a ex-aluna aqui foi convidada a ser  jurada do prêmio de melhor ator e atriz da peça de conclusão de curso do Benetti “Esse Karma sou eu”. Que saudade daquilo, daqueles ensaios, daquela adrenalina de estar no palco! Sim, eu estive lá anos atrás varias vezes e meio disfarçada.

Eu fugia do trabalho para ensaiar, eu simplesmente desaparecia algumas horas. Precisava daquilo, preciso daquele respiro, daquela bolha. Poucos pessoas sabiam o que eu estava fazendo, alguns amigos bem selecionados eu convidei a me assistir. Mas o barato maior era encarar aquela brincadeira séria como anônima mesmo, estar no palco para uma platéia desconhecida.

Benetti Mendes despertou ainda mais o meu lado B. Percebeu, cutucou, incentivou como faz com todos os seus alunos em seu olhar atento, cuidadoso, carinhoso e genialmente criativo \!  

Ele continua dando aulas. E faço esse convite a todo mundo: adultos, idosos,  jovens e crianças. Façam teatro, experimentem essa aventura! Um dos alunos do Benetti no palco depois de quase 2 horas de peça, visivelmente eufórico e completamente suado e exausto, disse: “Isso aqui é pura adrenalina, mais que saltar de paraquedas no ar!”. Então, vamos pular!

Novos turmas estão abertas para teatro adulto e infantil.  As aulas são realizadas no Sudoeste, no Espaço Teatral, junto também com o professor Rômulo Augusto. Ele e Benetti são formados pelo Unb. Eles já montaram vários espetáculos com os alunos como Don Quixote, entre outros. Mais informações pelo whatsapp 9 9919-6445 e pela página no Facebook @espaçoteatral.df. O e-mail é espacoteatraldf@gmail.com.

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