10 de Abril de 2018
Olhar Brasilia
Samanta Sallum

Garçom, por favor, por favor, por favor…

Cena que está fazendo parte da minha rotina e ouço dos meus amigos também. O que está transformando um dos meus prazeres, que é sair para comer fora ou tomar um café, em algo desgastante e irritante. Conseguir a atenção de alguém para te atender, para anotar seu pedido, trazer algo a mais, para pedir a conta, num bar, restaurante, lanchonete ou café da cidade.

A gente tem que fazer mímica, malabarismo, às vezes, – muito feio – falar alto, levantar, cantar, sapatear… Uma amiga minha, um dia desses, brincou dizendo que tiraria a roupa. Virou uma disputa em todos os lugares, especialmente naqueles em que a gente imagina que o atendimento será mais tranquilo. Eu não estou falando de um bar punhado de gente. Estou falando de restaurantes e, principalmente, cafés da cidade. 

O que mais deixa a gente indignada é ver isso acontecer naquelas franquias que chegam a Brasília se dizendo especializadas, já como marca consolidada. Um exemplo, o Fran’s Café.  Só um exemplo. Parece que olham para gente aqui,  para o tal “mercado de Brasília”, e pensam:

“Vamos levar nossa franquia pra lá, lá tem gente com alto poder aquisitivo, lá tem aquele monte de servidor público com estabilidade no emprego e que gosta de gastar, blá-blá-blá.” Só pode! Olham para o nosso bolso, mas não olham para a nossa cara! 

A minha crítica não é direcionada aos atendentes e garçons da cidade. No Fran’s, eu vejo eles se esforçando, tentando, não é falta de simpatia. É falta de pernas e de braços mesmo. A crítica é para os donos e gestores desses lugares. 

Eu já passei diversas vezes situações no Fran’s Café da 205 Sul. Salão lotado, interno e externo, e apenas duas pessoas para atender. É humanamente impossível. A crítica é a falta de atendentes e garçons, um problema de diversos restaurantes e bares da cidade. É sobrecarregar poucos funcionários com muitas mesas. Aí resta ao cliente entrar no campeonato de quem é mais performático para atrair a atenção de alguém para atendê-lo.

O meu pai tem uma brincadeira que eu comecei a incorporar com certo sarcasmo provocativo. A gente fica implorando um tempão para que tragam a conta. E nada de chegar. Então, a gente passa lá no balcão perto do caixa ou do gerente e diz: “Olá, estou há meia hora implorando pela conta, percebi só agora que vocês são muito gentis e não querem que eu pague, não querem me cobrar. Passei aqui para agradecer e me despedir…” Piadinha que tem efeito rápido e faz cair a ficha deles. E, às vezes, até rola mesmo uma cortesia pela descortesia do mau atendimento… Fica a dica. Mas sem malandragem, hein!

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Um comentário

  • Reply
    André Giusti
    10 de Abril de 2018 at 15:49

    Por incrível que pareça, pus este post hoje em meu blog:
    O atendimento no comércio em Brasília já foi bem pior. Tem melhorado nos últimos anos.

    Atualmente é apenas ruim.

    Agora há pouco fui tomar café na Kopenhagen do Conjunto Nacional. Bato ponto lá de dois a três dias na semana. Minha cara, portanto, não é exatamente uma novidade para as atendentes.

    Aproveitando que uma delas passava pela mesa, pedi um café. E ouvi: o pedido é feito no balcão, mas tudo bem, vou atender.

    Levantei imediatamente e lá fui eu mesmo cumprir as normas da casa, porque, por mais que a própria atendente fizesse o pedido, o tom ríspido e de advertência com que ela se dirigiu a mim comprometeu a relação da loja com o cliente. Por pouco não me tira a vontade de tomar café.

    No domingo de carnaval, caçava algum lugar aberto para tomar um belo espresso no fim de tarde. Uma das poucas opções abertas era a cafeteria da Belini, que fica do outro lado da tradicional padaria, na comercial da 114 sul.

    Era melhor que estivesse fechada.

    Na fachada, a afetada expressão em inglês coffee experience tenta impressionar o freguês, porque certamente o atendimento não conseguirá fazê-lo, não positivamente.

    Perguntamos se seria possível pôr uma mesa perto do jardim.

    A atendente, com uma expressão que notoriamente denunciava uma espécie de raiva – talvez a de trabalhar no domingo de carnaval – alegou que não dava e apontou algum problema no telhado da loja, não lembro ao certo.

    Falamos algo do tipo “ah, mas é tão agradável aqui, perto do jardim”, mas dissemos muito mais por lamento do que por insistência, ao que ouvimos com espanto um inacreditável “se quiserem pôr a mesa aqui, a responsabilidade é de vocês”.

    A culpa não é das funcionárias, creio eu, em que pese em uma ou outra a falta de talento nata para atender pessoas.

    Penso que há por parte dos proprietários desses estabelecimentos, franquias ou não, excesso de zelo com o preparo do cardápio e a decoração do lugar, mas uma grande desatenção com o fator humano no que diz respeito a treinamento ou mesmo contratação de funcionários, o que na ponta da corda é a desatenção com o consumidor, simplesmente a razão de o comércio existir.

    É claro, na cidade existem ilhas de ótimo atendimento (La Boutique e Ces’t si bon, por exemplo, ambos na Asa Norte), mas ser freguês em Brasília, no geral, ainda é uma bad, very bad experience.

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