16 de abril de 2018
Olhar Brasilia
Espaço convidado

Vagas especiais para autistas

Convidada: Sandra Bacelar é radialista, fonoaudióloga e mãe do Enzo, autista diagnosticado aos 18 meses

Esse símbolo universal da cadeira de rodas, o que ele significa? Deficiência física é a primeira coisa que vai passar pela sua cabeça, mas esse símbolo vai além do que os seus olhos veem, ele simboliza todas as deficiências existentes, inclusive as neurológicas.

Você sabia que os passageiros autistas têm assegurado por lei o direito às vagas preferenciais e também atendimento prioritário? Várias famílias sofrem hostilidade ao estacionarem em vagas ou por simplesmente pegarem uma senha preferencial. O que a maioria não sabe é o porquê dessa prioridade. Então, vou tentar explicar de uma maneira simples algo bem complexo.

A parte sensorial dos autistas é bem alterada, portanto, seus sentidos, como audição, visão, tato ou paladar, sofrem alterações que variam de autista para autista, e quando isso acontece o incômodo é muito grande. Exemplificando: um autista com hipersensibilidade auditiva ao entrar numa agência bancária vai escutar a conversa de todos os presentes, o barulho dos passos das pessoas, o celular tocando, a corrente que segura a caneta, o barulhinho do caixa eletrônico, tudo ao mesmo tempo e até mesmo de uma maneira aumentada. Imaginou?

Isso sobrecarrega e o cérebro entra em colapso. Neste momento, tudo pode acontecer. Ele pode bater a cabeça na tentativa de amenizar tudo aquilo. Ele pode se jogar no chão. Ele pode tampar os ouvidos e gritar. Ele pode se autoagredir. Ele pode, inclusive, agredir tudo na tentativa de externar que aquele ambiente ou situação é demais pra ele… (E olha que estou falando somente de um sentido, imagine os cinco sentidos alterados?)

Mais tolerância, por favor!

Você sinceramente acha que essa pessoa vai conseguir aguardar em uma fila pra ser atendido? Não! E aí vem a pergunta chata que vários de vocês podem fazer agora: por que levar a pessoa autista junto? Porque esse responsável por essa pessoa autista muitas vezes não tem ajuda de ninguém. Ninguém quer ficar com seu filho, por simplesmente não entendê-lo.

Nenhuma mãe sai por aí pra resolver problemas que tenha que enfrentar fila com um filho porque quer. Ela precisa. Ela não escolheu. O autismo não tem cara, talvez ele passe despercebido por você, e, na tentativa de proteger um deficiente, você pode estar ferindo outro. Pense nisso. Não julgue! Nem toda deficiência é visível.

Nota do Olhar Brasília: no sábado 14/4, a Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional fez uma apresentação especial para marcar o Dia Mundial de Conscientização do Autismo, celebrado em 2 de abril. O concerto, com clássicos do cinema e da música erudita, teve algumas adaptações, como o volume do som e ajustes na iluminação, para deixar o público bem à vontade. E todos puderam circular livremente durante as músicas. Esse concerto especial teve a regência do maestro Claudio Cohen, que vestiu a camisa da campanha Mexeu com Brasília, Mexeu Comigo! Por uma cidade mais tolerante e humana. 

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