7 de maio de 2018
Olhar Brasilia
Espaço convidado

Bicentenário da Independência

Convidado: Raul Torres é coordenador do curso de Turismo de UPIS e está sempre pensando em maneiras de aumentar o número de visitantes na nossa cidade. 

Há anos que Brasília busca seu espaço como grande destino turístico brasileiro. Não lhe falta potencial para tanto, mas uma grande oportunidade. Ou melhor, faltava. A celebração de nosso bicentenário, em 2022, quando comemoraremos os 200 anos de nossa independência, poderá ser uma excelente ocasião para a mudança de patamar de uma capital cujos atrativos não costumam constar nas sucessivas listas de locais mais visitados do País.

Ao contrário de outras capitais mundo afora, em geral fundamentais para o turismo de seus respectivos países, o nosso Distrito Federal não está nem sequer entre os cinco principais portões de entrada do Brasil.

Alguns fatores contribuem para a posição historicamente secundária de Brasília no cenário turístico nacional: sua juventude; seu caráter administrativo; a pecha de cidade corrupta e fria; o estigma de que bastam dois dias para conhecê-la bem; sua menor relevância econômica em comparação às grandes metrópoles do Sudeste; e o desconhecimento, no exterior, de sua condição de capital.

Um evento de grande porte, como o do bicentenário, possibilitaria tanto a reavaliação dos estigmas quanto a superação de deficiências reais. Vale lembrar, como exemplos, a contribuição da Copa do Mundo de 2006, na Alemanha, e das Olimpíadas de 1992, em Barcelona. O Mundial de futebol abriu a possibilidade para que os alemães mostrassem uma imagem diversa daquela deixada pela II Guerra Mundial. Os Jogos Olímpicos de Barcelona, por sua vez, alavancaram o turismo da cidade, que evoluiu de um estágio de estagnação, no qual se encontrava até uns anos antes, para o de uma cidade moderna e estruturada para receber turistas.

Além dos já citados acima, uma celebração como essa poderia produzir os seguintes benefícios: geração de empregos, em um contexto de alta taxa de desemprego que temos hoje; ingresso de divisas conversíveis, tais como o dólar e o euro, devido à presença de turistas estrangeiros; e a alavancagem, finalmente, do turismo cívico da cidade, vocacionada para esse segmento, em razão do civismo que só emerge em tais ocasiões.

Outras vantagens seriam: a estruturação da capital federal para o promissor e pouco sazonal mercado de eventos; a diversificação do turismo brasiliense, muito dependente das viagens corporativas, levando-se em conta a perspectiva de queda no volume das viagens de negócios, em razão de novas tecnologias; e a exposição da cidade na mídia, algo fundamental para atração de turistas em um mercado turístico cada vez mais competitivo.

Um ganho adicional, que merece parágrafo à parte, é o efeito unificador que o evento poderia produzir. Isso seria essencial para o País, que vem atravessando um período de polarização política preocupante. Cabe lembrar que o centenário, no tenso ano de 1922, teve esse papel de unificação, em um momento de antagonismo que opunha o movimento tenentista e os oligarcas da República Velha.

Por fim , merece menção especial a possibilidade de iniciativas na área da cultura. O centésimo aniversário de nossa autonomia política ficou marcado, é bom lembrar, pela famosa Semana de Arte Moderna, em fevereiro de 1922, que viria a se tornar referência, nas décadas seguintes, para grande parte da produção cultural de qualidade verificada no País.

Se figuras como Mário de Andrade e Menotti Del Picchia saíram praticamente consagradas daquele evento, não obstante as limitações dos meios de comunicação da época, pode-se imaginar o nível de projeção que o segmento cultural brasiliense poderia alcançar com os recursos tecnológicos dos dias atuais.

O curso de Turismo da UPIS, um dos pioneiros brasileiros na formação de mão de obra para o setor turístico, enxerga o bicentenário como uma grande oportunidade de se alavancar o turismo da capital federal.

Para tanto, faz uso deste espaço, que lhe foi tão gentilmente cedido, com a finalidade de fazer um chamado a todos que compartilhem a visão de que se trata de uma grande oportunidade. Provavelmente, a melhor que o turismo brasiliense já teve em sua curta existência. Para bem aproveitá-la, nada melhor que aplicar no evento algo intimamente ligado às origens de nossa capital: o planejamento. Por isso, mãos à obra o quanto antes. Algum interessado?

 

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Um comentário

  • Reply
    SUZANA DALET LOPES
    7 de maio de 2018 at 12:18

    Compartilho da sua opinião Professor Raul. Parabenizo pela visão e concisão do artigo e SIM sou uma brasiliense muito interessada! 😉 O artigo antecipou o tema na minha agenda profissional, estou desde já entrando na corrente construção de outra realidade pra nossa capital! Na qualidade de ex-
    professora, coloco-me à disposição para contribuir com eventuais projetos da UPIS nesse sentido. Forte abraço

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