19 de outubro de 2019
Olhar Brasilia

Sandra Beatriz Zarur

Marcia Zarur

Projeto Orla – conquistas e desafios

O Lago Paranoá é um patrimônio da cidade. Isso ninguém discute! Mesmo com gente torcendo contra, o Lago virou realidade junto com a Nova Capital. E é um dos motivos de orgulho do brasiliense.

Tem uma história ótima sobre a campanha contra Brasília, que tem o Lago como personagem principal. O escritor carioca Gustavo Corção, adversário ferrenho da mudança da capital, insistia que o Lago não encheria. Ele apontava o solo arenoso como o grande vilão aos planos do presidente Juscelino.

Em 1961, quando o Lago atingiu a cota 1.000, JK mandou um telegrama lacônico para Corção: “Encheu, viu?”

Já escrevi sobre o Lago algumas vezes aqui no Olhar Brasília.
As preocupações com a saúde desse nosso imenso e belo espelho d’água,  as pessoas que têm suas histórias totalmente associadas a essas águas
Mas ainda não tinha falado sobre a desobstrução da orla do Paranoá.

Com a divulgação da proposta vencedora para implementar o lazer em quase 40 quilômetros das margens do Lago, acho que é o momento ideal pra entrar no assunto. Pra começo de conversa, acho a desobstrução da orla uma grande vitória da cidade, pois democratiza o acesso a um bem que é do brasiliense. E não era justo, nem fazia sentido, ter trechos “privatizados”.

O Lago é de todos. Ok!
Mas quem vai cuidar dele?
Essa é a pergunta que aflige e apavora.

Passei os olhos “leigos” pela proposta vencedora, que me pareceu interessante. O projeto prevê a instalação de quiosques, restaurante, trilhas, mirantes e quadras poliesportivas. Até agora só não consegui entender a tal imensa roda-gigante prevista para o Lago Sul. 

Mas nada disso é tão importante quanto a parte da proposta que fala da arborização dos parques urbanos da orla, com espécies nativas. E mais: a recuperação das matas ciliares. Isso é o principal pra quem realmente ama o Lago.

Resta saber se, na hora de botar em prática, do papel para o real, o meio ambiente será prioridade mesmo. Nada contra o lazer nas águas e nas margens do Lago. Pelo contrário, é saudável ter mais um espaço aberto para a população. E, de preferência, com estrutura.

Mas e os cuidados com a saúde do Paranoá?
Lixo, esgoto e os rastros que os humanos costumam deixar?
Pra onde vai tudo isso?

Fico me perguntando a respeito da manutenção e da fiscalização dessas áreas. E de como educar as pessoas pra aproveitar, de forma sustentável, esse nosso patrimônio. Tudo isso é imprescindível. Afinal, o livre acesso ao Lago é uma conquista inestimável, resta saber se Brasília saberá fazer bom uso dela. 

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