12 de novembro de 2019
Olhar Brasilia

Andre Borges

Lá na minha rua

Não podemos apagar a faixa de pedestre!

Não queremos uma cidade em que motoristas, pedestres e ciclistas se sintam seres apartados um do outro. Somos seres humanos  e todos temos direito à segurança no trânsitos. Temos de conviver,  nos respeitar e não sentir que um ameaça ou invade o espaço do outro. Nossa cidade já mostrou exemplo de convivência entre pedestres e motoristas. Tropeça no respeito aos ciclistas, mas se engaja para melhorar.

A empatia deveria sempre nos guiar. Se sentir no lugar do outro, e preservar a vida como gostaríamos que a nossa fosse. Em alguns horários do dia, podemos ser pedestres ou motoristas e ou ciclistas.

Em continuidade a nossa série Brasília Vida Segura, sobre a mobilidade nas vias do Distrito Federal, vamos olhar hoje para as faixas de pedestre. A capital foi referência nacional de cidadania no trânsito. Se falavam mal da nossa cidade por causa dos políticos, o país passou a nos olhar como exemplo em educação no trânsito, pelo respeito entre motoristas e pedestres.

Esse é um patrimônio da cidade que não podemos deixar ser destruído! Mas uma pesquisa recente mostrou que essa conquista corre risco. Este ano, o orgulho local de respeito à faixa de pedestre completou 21 anos.

A faixa é essencial no esforço para reverter estatísticas negativas no trânsito e um símbolo brasiliense. Mas o que estamos vendo é uma queda no índice de respeito às faixas. A cada 10 travessias, quatro veículos não param quando o pedestre se aproxima.

É o que mostra a pesquisa feita pelo Instituto Federal de Brasília (IFB), em parceria com a ONG Rodas da Paz e com apoio da Universidade de Brasília (UnB), da ONG Andar a Pé e do coletivo Movimento Ocupe o seu Bairro (MOB).

“A proporção de multas por desrespeito à faixa de pedestres é muito pequena. A importância da faixa vai além de um equipamento de segurança. Ela  representa uma forma de acessibilidade em uma cidade que deve ser inclusiva e democrática”, diz o professor e pesquisador de Sociologia, Jonas Bertucci.

Integrante da ONG Rodas da Paz, Jonas conta que ao longo de duas semanas, neste ano, 16 pesquisadores flagraram 5 mil infrações nas faixas de pedestres.  O resultado foi divulgado em março.

Os dados oficiais mostram que o total de multas para esse tipo de desrespeito em todo o DF foi de 8 mil. O que mostra que a fiscalização pelos órgãos públicos não está tão eficiente. 

“Nos últimos 10 anos a faixa de pedestre pegou e a gente achou que pronto, a guerra estava vencida! Não estava e não está ! “, alerta o especialista em Trânsito , David Duarte. “Para a segurança do pedestre não é o bastante que 97% ou 98% dos motoristas respeitem a faixa. O pedestre, na hora da travessia, pode estar diante dos 2% ou 3% que não respeitam a faixa. É preciso que seja 100% de respeito à faixa de pedestres”, afirma.

David Duarte acompanhou todo o processo da implantação da faixa no DF.  Professor da Faculdade de Medicina da Universidade de Brasília (UnB) e presidente do Instituto de Segurança no Trânsito (IST), ele avalia que a cultura ainda persiste no Distrito Federal por mérito da sociedade brasiliense. Lamenta que órgãos de trânsito não estão tão atuantes neste sentido.

É preciso constantemente renovar o sentimento de respeito à faixa e o despertar nos novos motoristas que a cada dia tiram a habilitação. E ainda há a necessidade de conscientizar os motoristas vindos de outras cidades para morar aqui que não chegam com esse hábito.

A forma de recuperar o respeito ao pedestre é fazer um trabalho de engenharia, implantar novas faixas e uma rotina de manutenção com limpeza, pintura, iluminação , alem de investir em iniciativas permanentes para a educação e segurança no trânsito. Multar, mas não apenas isso. 

E esse é um dos objetivos do programa Brasília Vida Segura, parceria da cervejaria Ambev com o Governo do Distrito Federal.

O programa tem a participação do poder público, da sociedade civil e da iniciativa privada e atua, desde 2016, em três frentes, trânsito, saúde e educação. Cuidar e preservar as faixas de pedestre fazem parte desse esforço.

Em seu primeiro ano, no trânsito, as iniciativas integradas do Brasília Vida Segura salvaram 134 vidas no trânsito, de 390 mortes em 2016 caiu para 258 em 2017.

Segundo o Detran-DF , há cerca de sete mil faixas de pedestres na capital. O órgão não comentou sobre a pesquisa que mostra a redução do respeito à faixa de pedestres pelos brasilienses. Mas afirma que é prioridade as campanhas e ações educativas e a fiscalização.

Sempre vale lembrar: A empatia com os mais vulneráveis para um trânsito saudável está expressa no Código Brasileiro de Trânsito (Artigo 29), que determina que os veículos de maior porte serão sempre responsáveis pela segurança dos menores, os motorizados pelos não motorizados e, juntos, pela incolumidade dos pedestres.

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