26 de junho de 2018
Olhar Brasilia
Samanta Sallum

Chegadas e Partidas

Um jovem casal com a sorridente bebê aninhada ao peito do pai e o caçula de 2 anos de mãos dadas com a mãe. Uma família metade síria, metade brasileira. Os pais são refugiados sírios e as crianças nasceram no Brasil. A família, no aeroporto de Guarulhos, em São Paulo, estava ansiosa pela chegada de outra parte dela, os avós das crianças vindos da Alemanha para conhecer os netos. Mais uma cena, uma história emocionante, de um programa que eu adoro: “Chegadas e Partidas”, do canal GNT, apresentado pela jornalista Astrid Fontenelle. 

Ela pergunta ao casal sírio, que deixou tudo para trás, fugindo da guerra: “Por que o Brasil?”. O pai responde que a Europa estava fechada, difícil de encontrar lugar para os refugiados e que o Brasil os acolheu. A imagem daquele bebê sorridente no colo do pai, daquela brasileirinha de sangue sírio, diz tudo.

É tão simbólico, tão forte, conta tanto a nossa história brasileira e me faz associar um pouco com a história de Brasília. A nova capital, que acolheu tantos brasileiros em busca de novas oportunidades, que deixaram coisas para trás, que vieram desbravar esse Cerrado atrás de sonhos. 

Eu sempre me emociono com as histórias do “Chegadas e Partidas”. Não tem roteiro que supere a vida real. Mas essa história da família síria que veio para o Brasil representa tantas outras histórias e, em especial, me tocou ainda mais, pois tenho origem árabe também. Origem turca. Um dia, meu bisavô veio para o Brasil, para o Sul, e começou uma história aqui, e um dos galhos desta árvore sou eu, que veio parar em Brasília.

O casal sírio que Astrid entrevistou no aeroporto aprendeu a falar português em cerca de 3 anos no país, com sotaque carregado, abriu um restaurante em Osasco de comida árabe, consegue se sustentar e está criando sua família. A pequena brasileira-síria é símbolo de um Brasil acolhedor e que ainda pode dar oportunidades, apesar de tantas dificuldades.

Eu sou Sallum, nasci no Rio de Janeiro, tenho origem turca, mas Brasília virou meu lar, onde moro há 25 anos. Brasília me acolheu, me deu oportunidades e me pediu um pouquinho para cuidar dela. Aqui conheci pessoas especiais, fiz coisas especiais. Aqui conheci minha amiga Marcia Zarur, também de origem árabe. E Sallum e Zarur se juntaram para criar o site Olhar Brasília.

Quantas belas histórias cruzadas temos na história desta capital. São muitas. Todos temos. Havia um tempo em que Brasília era considerada uma cidade de “trânsito”, em que as pessoas não se fixavam. Hoje não. É pouso. Quem sabe nos encontramos em algum episódio do “Chegadas e Partidas”…

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