18 de novembro de 2019
Olhar Brasilia
Samanta Sallum

Pega um, pega geral. Também vai pegar vc! – Parte 2

Eu fui uma das 21 mil ocorrências de casos de dengue no Distrito Federal registrados somente neste ano de 2019. E a gente sabe que esse número é maior, pois muitas pessoas ficaram doentes e não entraram para as estatísticas. Tem gente com”diagnóstico impreciso”.

Quantas pessoas não ouviram nos prontos-socorros de hospitais públicos e particulares: “Pode ser uma gripe muito forte, pode ser dengue, pode ser virose…”? Eu só fui saber mesmo que estava com dengue quando tive a “febre de bater queixo”, que dá uma tremedeira horrível. 

Brasília sofre com uma epidemia de dengue absurda. O que explica? Aí vem a história de que dengue, verão e chuvas são quase que sinônimos. Mas o verão acabou em março; a seca e o frio já estão chegando. O que explica mesmo é a velha negligência que torna pouco eficientes os trabalhos de prevenção. Responsabilidade dos chamados “órgãos competentes do governo” e também, em parte, da população. Todos precisamos ser fiscais para evitar que os mosquitos tenham condições de proliferar.

E o “fumacê”, uma mera ilusão!  Inspeção verificou que o inseticida estava vencido em vários casos e o Ministério Público do Trabalho mandou suspender o serviço por falta das devidas condições dos trabalhadores em lidar com o veneno. E isso acontece no auge do problema! O GDF determina que aquela coisa improvisada volte a rodar pela cidade. A Secretaria de Saúde monta tendas nas regiões mais afetadas como força-tarefa para atender os doentes. Por que não há uma força-tarefa ANTES, para evitar que o pior aconteça? 

Eu sou carioca, vou ao Rio de Janeiro com frequência, inclusive em períodos de risco de dengue, mas foi aqui, em Brasília, que eu fiquei doente duas vezes nos últimos 5 anos com a dengue. A última foi no meio do mês de janeiro deste ano. E, não, eu não tinha estado no Rio de Janeiro no período para suspeitar que contraí a doença por lá.
Em janeiro, os médicos diziam que estava havendo uma epidemia. Mas isso não era oficializado. E a maldita me pegou de jeito. Fui picada pelo mosquito contaminado. Achava que por estar em área urbana estaria mais protegida. Ilusão! Tenho vários amigos e conhecidos com dengue neste momento em que escrevo este texto.
Fiquei traumatizada. Hoje, quando vejo um mosquito com a aparência do tal Aedes, me dá arrepios. Lembro-me do poder destruidor que esse ser minúsculo tem sobre nós. Eu fui picada aqui em Brasília.

De 2015 para cá, só cresce o número de casos.  Em 2015, foram 10.467. Este ano, já são mais de 21 mil !  

A febre alta de bater os dentes e as fortes dores pelo corpo inteiro fazem a gente pensar no pior. Eu nunca tinha sentido sintomas tão fortes! Suava como nunca. Quatro dias na cama delirando. E o médico me disse que a minha doença foi na versão light. Verdade, tive sorte. Conhecidos meus tiveram de ser hospitalizados. 

Até no elevador do prédio você pode esbarrar com o dito-cujo: o Aedes aegypti. Ele é confundido com o pernilongo. Mas o mosquito da dengue tem hábitos diurnos e é bem preto com listras brancas. O pernilongo é o que aparece de noite zumbindo no nosso ouvido e é amarronzado. 

 Ações de prevenção dos órgãos de saúde, aliadas às atitudes da população para impedir que o mosquito prolifere, são importantes. É uma guerra mesmo! Se deixarmos o território livre para ele, nos abate sem dó. Procedimentos simples, como não deixar água parada em potinhos de vasos de planta, em pneus, espelhos d’água ou piscinas sem uso, fazem muita diferença!

P.S.: Em 2017, escrevi um texto sobre a dengue sem imaginar que agora, em 2019, eu seria vítima da doença!

Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal: http://www.saude.df.gov.br/

 

Você também pode gostar

Um comentário

  • Reply
    César Fechine
    2019-06-05 at 11:21

    Samanta,
    A dengue é resultado de puro descaso das “autoridades” com a administração pública.
    Espero que esteja melhor!
    Abraço,
    César.

  • Deixe uma resposta