18 de novembro de 2019
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Espaço Oscar Niemeyer reabre com exposição de Siron Franco

Artista goiano apresenta obras na nova galeria de arte em Brasília

A partir de amanhã , sábado (24/8), o brasiliense vai ganhar mais um local para apreciar exposições de arte.  Será a mais nova galeria de Brasília, o Espaço Oscar Niemeyer, parte do complexo arquitetônico e cultural da Praça dos Três Poderes, em Brasília.

Desativado há 6 anos, após reforma, o local será reinaugurado com a exposição do artista goiano Siron Franco.

Localizado no Bosque dos Constituintes, o espaço foi projetado pelo arquiteto Oscar Niemeyer em 1988 e, a partir dessa reinauguração, abrigará exposições de arte contemporânea produzidas em Brasília e no Brasil.

O horário de funcionamento será de terça a domingo, das 9h às 18h, com entrada franca.

A exposição
Compostas por 50 óleos sobre papel inéditos, 12 telas e quatro esculturas, – as obras discursam sobre o triste desastre radioativo que ocorreu em Goiânia há 32 anos. A exposição ficará aberta até 30 de outubro de 2019.

Obras e história

Césio 137 / rua 57

Na cidade de Goiânia, em Goiás, uma cápsula de um produto químico odontológico letal – o césio 137 – foi abandonada de forma inconsequente em um terreno baldio na rua 57, no Bairro Popular.

Siron Franco, vindo de Goiás Velho, coincidentemente, residiu com sua família no bairro, na rua 74, entre 1950 e 1970, dos 3 aos 23 anos. A despeito dos três primeiros anos passados Goiás Velho, pode-se dizer que o Bairro Popular foi o verdadeiro cenário de quem viria a se tornar um dos maiores pintores de seu tempo.

 Siron iniciou sua trajetória de pintor, em 1967, com uma pequena exposição de desenhos no saguão de um hotel em Goiânia e, em 1968, com a sua participação na segunda edição da extinta Bienal da Bahia, em Salvador, fechada na primeira noite pelo regime militar. 

CÉSIO 137: O ACIDENTE E A SÉRIE

A cápsula de césio 137 foi indevidamente abandonada em um terreno baldio na rua 57 e posteriormente aberta.

Algumas pessoas passaram no corpo a substância mágica, um pó que vinha de uma pedra e, durante o dia, reluzia prata e, à noite, azul-fosforescente. Sucedendo o trágico acidente ocorrido em Chernobyl, Rússia, em 1986, Goiânia e o estado de Goiás estavam em perigo.  

Cinco pessoas e um cão morreram. Centenas delas tiveram de sofrer amputação por contaminação de partes do corpo. E, até hoje, vítimas sobrevivem em estado de saúde precário.

Um caos econômico e social para uma sociedade agrícola rural e uma grande hostilidade nacional. A contaminação da terra e seu possível alastramento para os estados vizinhos tornaram-se um assunto internacional.

O Bairro Popular foi cercado, os residentes das ruas próximas ao local onde houve os primeiros contatos com o material radioativo foram isolados.

A partir da abertura da cápsula e de seu posterior uso, a rua 57 tornou-se o núcleo de vários círculos concêntricos que irradiavam, em prata e azul, o horror e o medo do contágio.  

Frequentemente e por alguns anos, goianos eram recusados em hotéis de outros estados. Nada oriundo daquele estado era consumido.

Profundamente indignado com a imprudência da clínica dentária que teria abandonado a cápsula, o pouco caso das autoridades no que tange à inspeção de terrenos baldios na cidade, o controle do lixo, a desinformação e os tantos efeitos colaterais que esse descuido causou, Siron praticamente rompe com a sua “obra em progresso” e produz o que é comumente conhecido como série Césio 137, ou Rua 57.

Composta de 23 pinturas e um conjunto de trabalhos em guache produzido concomitantemente, a série Césio foi exposta na Galeria Montesanti [atualmente Galeria Nara Roesler], em São Paulo, um mês após o acidente. Os frutos da venda das obras seriam doados às vítimas.

O acidente radioativo causado pela abertura da cápsula de césio, que veio a resultar na série Césio 137, ou Rua 57, foi definitivamente o verdadeiro momento de ruptura. 

A partir dessa série, inúmeros elementos, como o grafismo, o metálico, a textura, o empasto, a colagem, a terra como pigmento, o caligráfico, o inacabado, o bad painting, o painting for paintings’s sake, o all over, passaram a habitar as obras do artista.

Conclui-se que a série Césio 137 determinaria toda a sua produção dos anos 1990, e de 2010 até a contemporaneidade.

Olha aqui!
Reabertura do Espaço Oscar Niemeyer e exposição de Siron Franco
Sábado, 24 de agosto, às 17h
Entrada franca

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