16 de maio de 2021
Olhar Brasilia

Rinaldo Morelli

Vitrine Cultural

Luis Humberto confirmado no Museu da República

Por Marcia Zarur

O secretário de Cultura, Guilherme Reis, afirmou que a Secult vai produzir a exposição do fotógrafo Luis Humberto no Museu da República no início do ano que vem.

A mostra A Reforma Possível do Olhar vai ser incluída no pacote de ações do governo para comemorar os 30 anos de inclusão de Brasília na lista de Patrimônio Mundial pela UNESCO. Uma exposição na qual o fotógrafo, que passa parte do tempo na cadeira de rodas, resolveu registrar a vida por este novo ângulo, a altura dos olhos.

A confirmação da exposição é uma resposta à mobilização de artistas, fotógrafos e ex-alunos (aqui eu me incluo) que se indignaram quando souberam que a proposta de uma nova exposição com fotos de Luis Humberto não havia sido contemplada com recursos do FAC – o Fundo de Apoio à Cultura. E que o projeto não havia alcançado a pontuação por não ter tirado 5, a nota máxima, no item relevância da obra.

Hoje nós, do Olhar Brasília, estivemos na Secretaria de Cultura para fazer essa pergunta. O subsecretário de Fomento e Incentivo Cultural, Thiago Rocha, respondeu que “o que está sendo julgado na seleção do FAC são os projetos. Não são as obras, não são os artistas. No caso do Luis Humberto, a nota 4 no item relevância da obra foi referente ao que estava sendo proposto para este projeto específico”.

Thiago Rocha voltou a defender o atual modelo do FAC, depois de uma saraivada de críticas nas redes sociais motivadas pelo ‘caso Luis Humberto’. “É um desafio constante. A gente sempre parte da ideia de que a próxima edição tem que avançar em relação à anterior, mas o formato de julgamento utilizado agora no FAC eu considero um dos mais avançados do Brasil”, reforça.

O secretário Guilherme Reis afirmou que não cabe a ele questionar as notas do FAC que são atribuídas pelos pareceristas, e que não há ingerência alguma dos funcionários da pasta no processo. Reis ressaltou que a exposição A Reforma Possível do Olhar será realizada com recursos que não pertencem ao FAC, mas que a mostra precisava se concretizar.

Afinal, segundo palavras do próprio Guilherme Reis: “Luis Humberto é patrimônio de Brasília e está num momento da vida muito especial. A proposta do recorte de olhar é linda, e é de interesse do Museu Nacional. Luis Humberto é, sim, um caso excepcional, que merece um olhar excepcional”

Veja algumas perguntas e respostas sobre pontos polêmicos do FAC:

Olhar Brasília: O fato de ter pareceristas de outros estados não atrapalha o julgamento, já que eles não têm a vivência da cidade?

Thiago Rocha: O FAC atualmente é o maior fundo de apoio direto, em termos práticos, do Brasil. Muito volume, e por isso o número de agentes culturais vem aumentando muito. Quem julga não concorre. O número de pareceristas locais interessados em atuar foi muito baixo, porque quase todos estão envolvidos em alguma medida com projetos inscritos. E é sempre uma faca de dois gumes. Uma pessoa da cidade garante, em tese, um olhar mais específico local, mas também pode dar margem para eventuais questionamentos sobre panelinhas, por exemplo.

Olhar Brasília: O que mudou exatamente no julgamento dos projetos inscritos no FAC?

Thiago Rocha: Antes, os pareceristas não julgavam todos os projetos de uma área, então não havia uma visão do todo. Agora, pareceristas de todo o Brasil se inscreveram, foram selecionados, e estão cadastrados. Para cada área é montada uma comissão que avalia todos os candidatos daquela área. São no mínimo 3 avaliadores que vão julgar todos os projetos. Todos os pareceristas leem todos os projetos. Depois há um encontro presencial para debater a nota final de cada projeto. Não é apenas uma análise individual, mas também uma análise comparativa, o que não existia antes.

Olhar Brasília: Há muitas queixas de que o Conselho de Cultura julga os recursos a portas fechadas. Isso não atrapalha a transparência?

Thiago Rocha: Aqui em Brasília tem uma cultura do recurso muito forte, muito maior do que em qualquer estado. Logo, praticamente, todo mundo entrava com recurso e ia para o Conselho de Cultura, que na prática refazia todo o julgamento. Então você tinha um processo que às vezes mudava totalmente o processo anterior. Não fazia sentido. Agora, são revistos equívocos, como notas não lançadas e erros de digitação, por exemplo. E as pessoas que estavam acostumadas ao padrão anterior, de muita alteração da nota, estranharam. Mas estamos procurando dar cada vez mais transparência a todos os processos e estamos ouvindo sempre as demandas da classe artística nos diálogos culturais. 

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