8 de maio de 2021
Olhar Brasilia

Sandra Beatriz Zarur

Marcia Zarur

Brasília com a faca no pescoço

Todo ano, nesta época, o brasiliense já fica ansioso pelo canto das cigarras anunciando a chegada da chuva. Mas, este ano, as atenções também estão voltadas para o nível dos reservatórios. Descoberto com 20,9% da capacidade; Santa Maria com 31,7%; e a população sem saber se o racionamento aumentará pra dois dias na semana.

A crise hídrica é um desafio que escancara a maneira como fomos ocupando os espaços. Construções sem planejamento, derrubando o verde; o asfalto tomando conta de tudo, impermeabilizando o solo e impedindo a absorção da água da chuva. A conta chegou e só vai aumentar daqui pra frente.
Brasília com a faca no pescoço – parte 1!

Esta semana, os rodoviários ameaçaram greve. As paralisações são frequentes e o trânsito vira um inferno. Mas, nos dias “normais”, a situação já é quase insustentável. Outro dia, precisei ir a Sobradinho no fim da tarde e me senti em São Paulo. Apesar da faixa reversa extra até o Colorado, o engarrafamento assustava. Passar mais de uma hora no trânsito já é realidade para muitos brasilienses.

A mobilidade em Brasília é um desafio que pede urgência. A cidade ainda investe muito pouco no transporte coletivo e negligencia os trilhos. Basta ver o metrô capenga, que não liga sequer uma asa à outra no Plano Piloto. Os ônibus velhos e abarrotados e os baixos investimentos na estrutura para bicicletas e pedestres completam o quadro caótico.
Brasília com a faca no pescoço – parte 2!

Não adianta fechar os olhos para a especulação imobiliária. Acreditar que derrubar o Cerrado e sair construindo quadras 500 e setores habitacionais inteiros não terá reflexos na nossa qualidade de vida. Ou acreditar que basta alargar vias indefinidamente pra resolver os problemas no trânsito. Precisamos urgentemente repensar a cidade que queremos. E mais do que isso, precisamos sair da inércia e fazer a nossa parte.

Você já pensou em deixar o carro na garagem e fazer percursos a pé ou de bicicleta? Você realmente tem se esforçado pra economizar água? Está preocupado em separar o lixo? Em recolher as necessidades do seu cachorrinho?

O individualismo, na maior parte das vezes, se sobrepõe à coletividade e a cidade inteira sai perdendo. Mas ainda dá tempo de mudar posturas e hábitos egoístas e recuperar o tempo perdido. São pequenos gestos que fazem uma enorme diferença. Não adianta pôr a culpa só no Poder Público. Precisamos fazer alguma coisa enquanto o futuro da nossa cidade ainda não foi assassinado por essa faca que nos mira. 

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6 Comentários

  • Reply
    Marcelo Marques
    2017-09-21 at 11:12

    Uma das minhas preocupações diz respeito às nossas reservas hídricas. Nunca imaginamos que um dia iríamos sofrer com um racionamento e mesmo vendo o ocorrido em São Paulo anos atrás não nos preocupamos. Talvez consigamos sair do racionamento, talvez as chuvas cheguem abundantes e nossos reservatórios se encham, mas… como iremos nos comportar após esta experiência? Não chegou a ser traumática mas será que aprendemos que devemos usar a água de forma racional durante todos os dias de nossas vidas? Será que passamos esta lição a nossos filhos e netos de forma didática e lúdica? Nossos mananciais tem sido constantemente agredidos, iremos olhar para eles agora com mais atenção? Trabalhamos no sentido de recuperar nossas matas ciliares para evitar o assoreamento? Aliás, será que sabemos ao menos o nome e a localização de nossos rios? O que estamos fazendo hoje para garantir o nosso futuro? Posso elencar aqui milhares de perguntas e todas elas terão apenas uma resposta: vamos cuidar melhor do nosso meio ambiente, afinal nós também fazemos parte dele. Nós somos o meio ambiente.

    • Reply
      Marcia Zarur
      2017-11-07 at 21:46

      Certíssimo Marcelo! Concordo totalente contigo. É preciso tirar uma lição disso tudo que estamos vivendo e especialmente fazer algo agora pra não colher frutos muito amargos no futuro. Beijos

  • Reply
    Tânia Battella
    2017-09-21 at 13:09

    Muito bom o artigo. Mas é impossível
    Não responsabilizar o Governo que, diante da Crise Hídrica, propõe ocupações em
    Áreas públicas ” com impermeabilizações do solo”, adensamentos populacionais e novas ocupações pela LUOS etc, como se não tivéssemos problema algum nos sistemas de abastecimento de água, de coleta e tratamento de esgotos, de lixo…

    • Reply
      Marcia Zarur
      2017-11-07 at 21:45

      É verdade Tânia, cada um tem a sua parcela de culpa e certamente os gestores tem uma fatia considerável desse bolo… Um grande abraço

  • Reply
    Ronaldo Rufino
    2017-09-30 at 17:39

    Obrigado, ou obrigada pela boa matéria! Que possamos repensar as nossas prioridades diante de tudo isto, pois temos culpa também ao sermos omissos e nada fazermos e também muitos casos fingir que não é conosco. Ou mudamos, ou sucumbiremos .

    • Reply
      Marcia Zarur
      2017-11-07 at 21:43

      É verdade, Ronaldo. Precisamos fazer a nossa parte e cuidar dessa cidade que, antes de tudo, é nossa! UM abraço

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