9 de maio de 2021
Olhar Brasilia
Espaço convidado

A cidade moderna

Convidado: Bruno Leite é coordenador-geral da ONG Rodas da Paz e defensor de uma convivência mais pacífica entre pedestres, ciclistas e motoristas nas ruas de Brasília.

Brasília foi concebida e construída com o que havia de mais moderno na arquitetura e no urbanismo da época. Os traços do arquiteto ainda hoje passam uma impressão futurista aos que aqui chegam pela primeira vez. Sua construção queria mostrar ao mundo um Brasil moderno e industrial.

Mas se fossemos construir uma nova capital hoje, qual o recado iríamos querer passar?

Os tempos mudaram e hoje a preocupação dos responsáveis pelo planejamento das cidades se volta para a sustentabilidade e bem estar das pessoas. Um dos guias dessa corrente de pensamento é o Desenvolvimento Orientado ao Transporte (TOD, na sigla em inglês) que pode ser resumido em alguns princípios. São eles:

  •   Caminhar. Vias para pedestres desobstruídas e de alta qualidade aumentam a mobilidade básica para todos. Os equipamentos urbanos, os elementos do paisagismo e as bordas ativas dos prédios transformam calçadas e passagens em espaços públicos vibrantes.
  •   Usar bicicletas. Um bom projeto das ruas aumenta a segurança dos ciclistas ao reduzir a velocidade nas faixas de rodagem ou criar pistas separadas para as bicicletas. É essencial ter uma rede completa de ciclovias, além de elementos adequados para produzir sombra, superfícies lisas e estacionamento seguro para as bicicletas.
  •   Conectar. Uma rede densa para trajetos a pé ou a bicicleta resulta em conexões mais curtas, variadas e diretas, que melhoram o acesso a mercadorias, serviços e transporte público.
  •   Usar transporte público. Um sistema de transporte rápido, frequente, confiável e de alta capacidade reduz a dependência de veículos motorizados individuais
  •   Promover mudanças. Tarifas adequadas de estacionamento e redução da oferta geral de vagas acabam por incentivar o uso do transporte coletivo, a pé ou de bicicleta
  •   Adensar. A intensificação dos usos residencial e comercial no entorno das estações de transporte coletivo rápido e de alta capacidade ajuda a garantir que todos os residentes e trabalhadores tenham acesso a um transporte de alta qualidade
  •   Misturar. Uma mistura diversificada de usos residenciais e não residenciais reduz o número necessário de viagens e garante a animação dos espaços públicos em todos os horários.
  •   Compactar. A reorganização ou requalificação do tecido urbano existente ajuda a garantir que os residentes morem perto dos empregos, escolas, serviços e outros destinos, reduzindo assim o tempo das viagens e as emissões dos veículos.

Construir uma nova capital não está no horizonte brasileiro. Aliás, construir cidades do nada não é uma prática muito comum. Cidades são como organismos vivos que vão se transformando ao longo do tempo, para o bem ou para mal. A maior parte da cidades do mundo são antigas e com o conhecimento acumulado nos campos da engenharia e do urbanismo estão se adaptando com o objetivo de transportar seus cidadãos e promover o bem estar geral.

Com esses conceitos em mente devemos pensar na nossa realidade e promover uma discussão mais profunda do que queremos para nossa cidade. Cobrar dos governantes um transporte público de qualidade, com contratos claros e que sejam seguidos adequadamente. Discutir a ocupação do solo de maneira qualificada e com foco na cidade e em seus habitantes, e não apenas em interesses particulares e especulativos. Fornecer estrutura de qualidade para quem não utiliza carros como calçadas e ciclovias além de restringir o uso do automóvel em determinadas áreas e implementar medidas de moderação de trafego.

Vale lembrar que para que tudo isso aconteça é fundamental a participação da população no controle social das políticas públicas. Além disso, esse anos teremos eleições, portanto, é a hora de avaliarmos o que foi feito e colocar esses assuntos no centro das discussões para decidirmos como será a nossa vida e a de nossa cidade nos próximos 4 anos.

Para mais informações sobre cidades sustentáveis acesse: http://itdpbrasil.org.br/publicacoes/infograficos/

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