5 de agosto de 2020
Olhar Brasilia
Marcia Zarur

Obsoleta ou Vintage? 

Eu sou da época das provas mimeografadas, que chegavam às nossas carteiras na escola ainda com cheirinho de álcool…

Eu sou da época da fita cassete, do papel carbono, da máquina de escrever, do orelhão com ficha…

Eu sou da época em que os telefones tinham disco, gancho e fio, e as ligações pra fora da cidade eram caríssimas. DDD ou DDI… 

Eu me lembro da nossa primeira TV com controle remoto, do vídeo cassete, da chegada do computador, da internet discada que chiava e apitava, das impressoras que tinham a borda do papel furadinha e destacável, do primeiro celular tijolão…

Como diria Mário Quintana, “a linha dos sessenta, como a dos cinquenta ou dos quarenta anos, é uma linha imaginária, como a do Equador: o navio não dá o mínimo solavanco quando a gente atravessa”.

Se não dá o mínimo solavanco, porque será que a gente balança tanto?! Eu, que me aproximo da linha dos 50, não consigo deixar de sentir o peso de quase meio século. 

E me questiono se estou obsoleta ou se sou vintage. Vou me adaptando ao mundo digital, multitelas e multitarefas. Mas a tecnologia me dá a impressão de ser uma grande ladra do tempo. Os minutos parecem escassos e extremamente apressados. 

O ritmo frenético do novo século não me tira o gosto pelos pequenos detalhes que são, na verdade, os grandes prazeres da vida. E que hoje, mais do que nunca, tem um valor inestimável. 

Não importa a época, existem clássicos que nunca vão sair de moda. E a melhor tradição, que não há tecnologia que substitua, é poder abraçar quem você ama!

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